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Prêmio João Canuto 2017



11/12/2017

  

 

 

 

ABERTURA

O Prêmio João Canuto nasceu em 2004, comouma forma de reconhecimento do trabalho desenvolvido por pessoas ou instituições em prol dos Direitos Humanos.

João Canuto foi uma liderança camponesa - comunitária, sindical e política - assassinada em Rio Maria, no Pará, em 1985. De morte anunciada muitas vezes e finalmente realizada sem que as autoridades municipais, estaduais e federais o protegessem. Participaram na época da conspiração para sua morte diversos fazendeiros e três prefeitos da região. Há 13 anos, nós do MhuD – Movimento Humanos Direitos, relembramos com honra o nome de João Canuto em nossa premiação.

O Movimento Humanos Direitos (MhuD) foi fundado após um e-mail que o ator Marcos Winter, em 5 de dezembro de 2002, enviou ao padre Ricardo Rezende Figueira. Nele, Marcos, considerava que todo artista tinha uma responsabilidade social. E perguntava se não seria interessante criar uma “associação” de artistas que se envolveriam com o tema dos direitos humanos. Os artistas ofereceriam sua visibilidade na mídia em favor de pessoas e instituições que abraçassem causas justas. Dessa forma, eles fariam denúncias de violações aos direitos humanos como o trabalho escravo contemporâneo. Buscariam apoiar causas, a partir de informações seguras, que pudessem ser acompanhadas por grupos locais.

E a ideia ganhou corpo. Em janeiro de 2003 foram realizadas as primeiras reuniões do MhuD, que tem, desde então, desenvolvido uma série de atividades em prol da paz e dos direitos humanos, com um olhar especialmente voltado para os problemas do trabalho escravo, dos abusos praticados contra crianças e adolescentes, as questões dos quilombolas, do meio ambiente e dos povos indígenas.

Para cumprir seu propósito, o Movimento Humanos Direitos atua por meio de execução direta de projetos, indo aos locais conflagrados, dando apoio aos ameaçados, mostrando a cara e levantando a bola dessa gente de luta que jamais se entrega. Unindo forças, o MhuD realiza programas e planos de ações, procurando contribuir com a sociedade, cooperando com outras organizações já existentes, para ampliar a visibilidade sobre os crimes cometidos contra os direitos humanos no Brasil e no mundo. É nosso propósito atuar na divulgação das causas sociais, participando de debates e atos públicos. Nós do Movimento Humanos Direitos acreditamos que só o envolvimento popular, a reflexão, o diálogo e o debate, podem promover mudanças para o aprimoramento de uma consciência cidadã.

        

 

PREMIÁDOS  2017

 

Conceição Evaristo (MG) - escritora premiada com relevante militância no tema do racismo. Adair Rocha entrega o Prêmio João Canuto.

                

      

“O racismo está saindo do armário hoje no Brasil”, a frase que marca a luta como escritora, cidadã, mulher, negra.

Maria da Conceição Evaristo de Brito nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Em sua família, nove irmãos e a mãe. Escritora, poetisa, romancista e ensaísta, “Prêmio Jabuti de Literatura” em 2015 e “Faz A Diferença – Categoria Prosa” e “Prêmio Cláudia – Categoria Cultura”, ambos neste ano, Conceição Evaristo conseguiu concluir o curso normal quando já estava com 25 anos. A vida era muito dura, foi necessário para esta guerreira conciliar os estudos trabalhando como empregada domésticae as responsabilidades da vida foram lhe tomando tempo. Estudos básicos concluídos, mudou-se então para o Rio de Janeiro, onde passou num concurso público para o magistério e estudou Letras na UFRJ.

No final da década de 80, através do grupo QuilombHoje, coletivo cultural e editora paulistana responsável pela publicação da série Cadernos Negros, estreou na literatura com obras publicadas pela organização. Conceição Evaristo é mestra em Literatura pela PUC-Rio e Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Fluminense. Suas obras, em especial o romance PonciáVicêncio, de 2003, abordam temas como a discriminação racial, de gênero e de classe. A obra foi traduzida para o inglês e publicada nos Estados Unidos em 2007.

Conceição Evaristo é militante do movimento negro, com grande participação e atividade em eventos relacionados à militância político-social.

Ela que é fã de Nina Simone e Ellen Oléria, tema da Ocupação do Itaú Cultural de São Paulo neste ano, nome que dá marca à cerveja de trigo feminista… para ler, beber e apoiar sua luta: Conceição Evaristo!Para receber o Prêmio João Canuto.

 

Dadá Borari (PA) - liderança indígena. Sergio Marone, entrega o Prêmio João Canuto.

              

       

Odair José Alves de Souza, Dadá Borari, casado, pai de oito filhos, cresceu na Aldeia Novo Lugar, às margens do Maró, rio que forma o Arapiuns, um dos principais afluentes do Tapajós. Até a adolescência, nunca havia ido a Santarém, maior cidade da região e distante 14 horas da aldeia em viagem de barco a motor. Quando criança, Dadá passava o dia entre brincadeiras nos igarapés, acompanhando a mãe no plantio da mandioca ou na coleta de frutos como o açaí. Também gostava de sair para caçar cotia e paca. A mata era mais que uma fonte de recursos. Era sagrada.

Eram tempos de calmaria nessa região do Tapajós, depois do conturbado ciclo da borracha no início do século XX, época em que conviveram povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores, seringueiros, caboclos e migrantes de diversas partes do País. Populações que formam as comunidades ribeirinhas da Amazônia de hoje.

Quando Dadá estava no final de sua adolescência, essa espécie de éden acabou. O governo do Pará decretou que aquela terra que os indígenas borari chamavam de lar passaria a se chamar Gleba Nova Olinda, destinada a empresários sulistas do setor madeireiro. Que estavam sendo expulsos das terras dos índios caiapó, mais ao sul do Estado do Pará. Assim que os madeireiros chegaram a Nova Olinda, a serra elétrica começou a roncar. Preocupado, o tio de Dadá, Higino, então cacique da aldeia, chamou o jovem para conversar. Dadá seria o seu sucessor. Mandou o menino para Santarém estudar como funciona a política dos “portugueses”. Queria que o sobrinho aprendesse os caminhos políticos para transformar a região onde os borari viviam em uma terra indígena oficialmente reconhecida e protegida. Desde então, juntamente com seu tio/avô cacique da aldeia e outras lideranças, iniciaram a luta para livrar seu território da atuação de madeireiros, ao mesmo tempo que buscavam, junto ao Estado brasileiro a demarcação de suas terras.

Esta luta rendeu a Dadá Borari o ódio de madeireiros e seus aliados, que então passaram a ameaçá-lo de morte. Em 2006 as ameaças mais duras foram sofridas. Dois atentados foram cometidos contra sua vida. Dadá foi incluído no Programa Federal de Proteção a Defensores de Direitos Humanos e no ano de 2007 passou a receber proteção policial.

Por sua luta já recebeu o Prêmio José Carlos Dias, da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional do Pará. Também coordenou o Conselho Indígena Tapajós Arapiuns entre os anos 2003 a 2006, que representa todos os povos indígenas do Baixo Tapajós.

Formou-se em magistério indígena e hoje desenvolve a atividade de professor das disciplinas Notório Saber e de língua nhengatu para 32 alunos do pré-escolar até o 5° ano, nas escolas do Território Indígena Maró, onde mora. Também coordena um projeto em seu território chamado “Vivência na TI Maró”, envolvendo os estudantes das escolas. Este evento é realizado no mês de setembro, durante a semana da Pátria, para evidenciar a cultura indígena em contraponto às atividades cívicas realizadas nas escolas tradicionais. Este ano o evento contou com 137 participantes entre indígenas e convidados.

Dadá também colabora com outras aldeias com atividades de notório saber e com oficinas de autodemarcação e monitoramento de territórios. 

 

José Vargas Jr. (PA) - advogado militante de direitos humanos, que entre outras causas, tem defendido as famílias de Pau D'Arco. Está sendo ameaçado e procurado, por isso está foragido com a família. Leonardo Vieira entrega o Prêmio.

                        

       

Vinte anos após o massacre de Eldorado dos Carajás, o crime se repete. Chacina! Em Pau D’Arco. Fazenda Santa Lúcia.

Há várias formas de entrar na luta em defesa dos direitos humanos. Há casos em que ela é escolha, em outros é necessidade. O que separa uma escolha de uma necessidade, todavia, não é simples. O advogado José Vargas atuava junto a trabalhadores rurais na cidade de Pau D'Arco, no Sul do Pará, quando dez deles foram mortos no maior massacre no campo nos últimos 20 anos. Sua atuação, até então, era de um advogado que cuidava da questão fundiária, sem qualquer experiência ou atuação em casos criminais.

Após a chacina, deixar o caso para outros poderia ser uma escolha, pela qual ele não seria condenado, já que não atuava em casos assim. Entretanto, para Vargas isso não era opção, mas uma necessidade.A atuação de Vargas foi essencial para que a Polícia Federal e o Ministério Público tivessem acesso às testemunhas do massacre, assim como a detalhes de todo o caso. Isso levou, até o momento, ao indiciamento de 13 policias militares e dois policiais civis envolvidos nas mortes. Essa atuação acabou chamando atenção não apenas dos policiais envolvidos, mas toda a rede depoder local, formada por autoridades e latifundiários, incomodados com aquele advogado que estava lutando para que a regra da impunidade deixasse de ser aplicada no Sul do Pará.

Sofrendoameaças que cresciam cada vez mais, Vargas e sua família deixaram a região. Vivem agora em um lugar que não pode ser revelado. Na chacina de Pau D’ Arco, os corpos das vítimas foram retirados do local antes da chegada da perícia.Esses mesmos corpos sequer teriam um enterro adequado se não fosse a intervenção de pessoas e instituições que se reuniram para a compra dos jazigos, já que o governo não se responsabilizou pelo feito. Quem dá o tiro é o derrotado!

Em nome de Jane Júlia de Oliveira, Antônio Pereira Milhomem, Bruno Henrique Pereira Gomes, Clebson Pereira Milhomem, Hércules Santos Oliveira, Nelson Souza Milhomem, Oseir Rodrigues da Silva, Regivaldo Pereira da Silva, Ronaldo Pereira de Souza, Wedson Pereira da Silva Milhomem e mais recentemente Rosenilton Pereira de Almeida, posseiros mortos da chacina de Pau D´Arco.

Dr José Vargas Junior, recebe o Prêmio João Canuto, por sua luta e firmando o apoio de nós do Movimento Humanos Direitos em tudo o que for necessário a fim de encontramos justiça e paz à estas famílias. 

 

Justiça Global (RJ) - ONG de proteção  aos direitos humanos, reconhecida internacionalmente. Eduardo Tornaghi entrega o Prêmio João Canuto.

  

A Justiça Global é uma organização não governamental que trabalha com a proteção e promoção dos direitos humanos e o fortalecimento da sociedade civil e da democracia.

Fundada em novembro de 99, atua em quatro programas temáticos: pela não-violação dos direitos humanos; pelos direitos fundamentais que tragam igualdade social, independente de gênero e raça; pelo fortalecimento das instituições democráticas; e pela exigência da garantia dos direitos para as vítimas e defensoresameaçados. 

O MHuD, enquanto escolhia os nomes deste ano para o Prêmio João Canuto, pegou-se no questionamento de porque ainda não havia premiado a Justiça Global anteriormente. E chegamos à conclusão de que, é esta organização tão atrelada e tão parceira ao nosso Movimento Humanos Direitos, que havíamos esquecido que nós somos instituições diferentes.

Brincadeiras à parte, foi com a Justiça Global que amplificamos as denúncias e a proteção de Dona Maria Joel da Costa, a Dona Joelma, que teve seu esposo Dezinho assassinado em Rondon do Pará, lutando pela regularização de terras improdutivas, visando a reforma agrária. Foi com a Justiça Global que nosso querido Osmar Prado, triste pela impossibilidade de estar presente nesta premiação hoje, compromissado com filmagens, que acompanhamos de perto o sofrimento e a impunidade que ainda segue no crime de Pau D’ Arco, que nos traz hoje o doutor José Vargas Junior para receber também um prêmio por sua atuação junto à aquelas famílias. E tantas outras intermináveis e incansáveis ações que vocês podem acompanhar no site da Justiça Global, www.global.org.br. Nesta noite, (brincando) enfim!, para receber o Prêmio João Canuto, nossa parceira, nossa irmã de lutas, a ONG Justiça Global, representada pelo companheiro Mario Campagnani.

 

MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens (direitos humanos), representatividade nacional. Bete Mendes entrega o Prêmio João Canuto.

    

O MAB – Movimento Atingidos por Barragens, é um movimento popular brasileiro surgido a partir do fim da década de 70, com o objetivo de organizar os atingidos pela construção de barragens, para a defesa de seus direitos.

O Movimento surgiu a partir das mobilizações de agricultores contra a construção de usinas hidroelétricas na região do Alto Uruguai, nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, mas logo se viu que o problema não era local, mas nacional. O MAB nasce oficialmente em 1991, na luta pela criação de uma política nacional de direitos dos atingidos, a formação de um fundo de auxílio para reparar os prejuízos das pessoas afetadas pela construção de barragens, e é contrário à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e outras barragens na Amazônia. Todos os anos os militantes promovem o Dia internacional de Luta contra as barragens, celebrado em 14 de Março.

O MAB é um dos movimentos mais atuantes em prol das famílias atingidas pelo rompimento da barragem na região de Mariana-MG. A campanha com a hashtag SOMOS TODOS ATINGIDOS causou mobilização de artistas e da população a fim de tentar amenizar toda a tragédia ocasionada pela SAMARCO que, até hoje, dois anos após o ocorrido, não tomou providências suficientes às vítimas.

Ser atingido por uma barragem é perder a sua terra, a sua casa, o lugar em que se cresceu, onde se pescou, onde se plantou. Barragens muitas vezes matam famílias, sejam por tragédias que assassinam pessoas, sejam pelas mortes em vida de quem segue sem perspectivas. Em meio à tristeza dos problemas, floresce junto ao MAB a arte das arpilleras, retratadas no filme “Arpilleras: Atingidas por Barragens Bordando a Resistência. “Arpillera” é uma técnica que surgiu no início do século passado em Isla Negra, no Chile, quando mulheres começaram a costurar para a subsistência em juta, tecido retirado dos sacos de batata. Entretanto, ganhou notoriedade mundial durante o período da ditadura militar, quando mulheres das periferias de Santiago denunciaram a repressão e os desaparecimentos políticos por meio dessa prática.No Brasil, o MAB introduziu as arpilleras em oficinas, com objetivo de dar visibilidade às mulheres atingidas, essas batalhadoras, e criar um mapa das violações sofridas por elas no processo de construção das barragens. Desde então, foram realizadas mais de 150 peças.

Entre a população atingida, as mulheres são as que mais sofrem com a construção de barragens. Com a chegada de milhares de trabalhadores nessas grandes obras, há um aumento exponencial de violência sexual e prostituição. Além disso, no processo de negociação das indenizações, constata-se recorrentemente uma discriminação de gênero por parte das empresas responsáveis, excluindo as mulheres. Todo o processo é feito com os “chefes de família”. Eu chamo ao palco para receber o Prêmio João Canuto de Direitos Humanos, AlexaniaRossato, representante deste importantíssimo movimento. 

 

Silvero Pereira (CE) - ator, dramaturgo, voz em prol da causa LGBTI. Van Furlanetti entrega o Prêmio João Canuto.

 

   

Silvero Pereira é um ator, diretor e dramaturgo cearense, nascido em Mombaça. Além dos diversos trabalhos com grupos em seu Estado natal, ele fundou duas companhias em Fortaleza: a Inquieta Cia. de Teatro e o Coletivo Artístico As Travestidas.

O Coletivo Artístico As Travestidas foi fundado por Silvero há 14 anos. Composto apenas por atores e atrizes transexuais e travestis (e artistas transformistas), o projeto já produziu sete espetáculos, com temporadas nas regiões Sul e Sudeste, sempre visando questionar a sociedade sobre a caricatura e o estereótipo do universo trans, promovendo, com isso, um conhecimento mais aprofundado sobre o assunto e tentando desconstruir preconceitos, esclarecendo e promovendo uma maior compreensão através da arte, em especial o teatro.

Das produções do Coletivo, destaca-se o espetáculo “BR-Trans” que tornou-se um grito em prol destas minorias e foi concebido, em partes, enquanto Silvero ministrava aulas de teatro na ala dos travestis e seus companheiros, no presídio de Porto Alegre-RS, onde por anos foi professor e desenvolveu a pesquisa “Travestilidade como

Performatividade do Ator” em quetrabalhava jogos de improvisação e criação de personagens e a partir da construção do corpo do trans, foi possível quebrar o preconceito de achar que transformismo não é arte, ou que travestir-se pode também ser uma máscara cênica e não apenas uma discussão de gênero e diversidade. BR-Trans já é livro, pela Editora Copogó, eu já li, e será filme no próximo ano. Silvero Pereira e o Coletivo Artístico As Travestidas recebem o Prêmio João Canuto de Direitos Humanos porque há décadas utilizam da arte para quebrar preconceitos, levar mais informação sobre este universo, sobre a violência, a discriminação, falta de oportunidades e a crueldade promovida por uma sociedade cheia de regras, que ainda pode ser capaz de destruir vidas pelo simples fato de não aceitar o próximo como ele é, não reconhecer sua escolha, natureza ou felicidade. Sucesso como Nonato e Elis Miranda na novela “A Força do Querer”, definido como “um gênio” por Caetano Veloso, Silvero é, ao lado de Jane di Castro, a principal voz desta minoria atualmente, já que a representante maior, Rogéria, nos deixou no último dia 05 de Setembro . É direito humano termos a identidade que sentirmos ser. Para receber o Prêmio João Canuto, meu amigo, nosso orgulho, Silvero Pereira. 

 

Vera Malaguti (RJ) - professora da UFRJ com importante atuação junto à população de rua. Cristina Pereira entrega o Prêmio João Canuto para seu filho, que veio representá-la.

    

Vera Malaguti Batista é socióloga, mestre em História Social pela Universidade Federal Fluminense, Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Professora de Criminologia da Universidade Cândido Mendes, e Secretária geral do Instituto Carioca de Criminologia. Tem sido uma das mais poderosas vozes contra o encarceramento em massa de jovens pobres negros e do extermínio puro e simples destes mesmos jovens.

Sua voz é uma trincheira e uma referência que precisa ser ouvida e amplificada em tempos sombrios como o que vivemos. Questionando as bases de pensamento que  tentam justificar os processos de dominação, violência e segregação, dentro de uma perspectiva atual tão radical e quase que abolicionista, Vera Malaguti Batista nos instiga e nos aprofunda o debate, na defesa às lutas por emancipação e transformação social. Para receber o Prêmio João Canuto 2017, a autora de importantes livros como o “Introdução Crítica à Criminologia Brasileira”, entre várias outras obras, Vera Malaguti Batista.

 

Xavier Jean Marie - (TO) da CPT com atuação relevante no combate ao trabalho escravo. Aroeira entrega o Prêmio João Canuto para sua representante Aninha.

   

Xavier Jean Marie Plassat, mais conhecido como Frei Xavier Plassat.

É um frade dominicano francês. Formado em Economia em universidade francesa, Frei Plassat mora há mais de 30 anos no Brasil, onde trabalha junto à CPT - Comissão Pastoral da Terra. Defensor de que seja realizada uma autêntica Reforma Agrária, destaca-se pela luta contra o trabalho escravo contemporâneo em nosso país. Seu importante trabalho rendeu-lhe o Prêmio Nacional de Direitos Humanos em 2008.

Lutador incansável, ele visita constantemente as comunidades e as dioceses para motivá-las, articulando reuniões nacionais e internacionais, fazendo palestras, elaborando, documentos e subsídios.

Ao mesmo tempo em que é muito considerado e estimado por vários membros do Ministério Público e do Poder Judiciário, fez ferozes inimigos nas organizações, principalmente no que diz respeito aos ruralistas. Xavier Jean Marie Plassat está em um compromisso fora do país e lamenta não poder estar presente. Para receber o Prêmio João Canuto, Ana de Souza Pinto, da Comissão Pastoral da Terra, para representá-lo.

 

Virginia Berriel e Cristina Pereira, prestam homenagem a Vic Militello e Bruni Cattoni (In Memorian)

  

VicMilitello, Bruno Cattoni… nós, do MhuD, não poderíamos deixar passar em branco a falta que vocês dois fazem pra gente, nossas estrelinhas que hoje olham para os nossos direitos humanos de um outro patamar. Vocês fazem muita falta!

VicMilitello nos deixou no dia 28 de Janeiro deste ano. Vicência MilitelloMartelli, VicMilitello, atriz, diretora, escritora e militante inquieta, acima   de tudo, uma  militante  em defesa  dos  direitos humanos. Uma   atriz   de origem   circense,  “os   Tangara”, filha da atriz Dirce Militello e do ator Humberto Militello, juntos, fizeram de  forma   magnânima   o   Circo   Teatro. Vic era uma pessoa extremamente generosa e solidária. Irmã,   mãezona, amiga, confidente, sempre atenta àqueles que precisavam, sempre estendendo a mão, dividindo, fazendo a diferença. Ela brincava de forma genial com a dureza de fazer teatro  e dele  sobreviver. E do teatro sabia tudo! E  tecia o mesmo nos grandes palcos, mas também priorizava a forma mambembe de representar e queria sempre estar perto do povo. Vic, nossa eterna  operária   do   teatro,   militante   nos   grandes   palcos e nas   grandes   causas   sociais,   uma   militante   de   sorriso   largo   e   gargalhada inconfundível.   A   nossa   sempre   VicMilitello,   porque   artistas      e   militantes    são   como   estrelas, não   morrem jamais. Viva VicMilitello!

Bruno Cattoni, poeta, jornalista, ativista. Um dos responsáveis pela fundação do Grupo Pela Vidda, membro do Movimento Humanos Direitos, editor de textos da Central Globo de Jornalismo. Tantos recitais desde o início da década de 80… curador de três festivais nacionais de poesia no Circo Voador. Autor dos livros: ”Figuras”, “Conspirações e Inconfidências de um Caçador de Meninas Gerais”, “Ah!”, “Kalusha”, “Osso - Na Cabeceira das Avalanches”… doce, paizão, amigo, nosso militante dono da palavra! Bruno fazia todos os anos, com toda a dedicação, os textos utilizados aqui no Prêmio João Canuto. Nos deixou recentemente, no dia 08 de Outubro.  O  nosso   sempre  Bruno Cattoni,   porque artistas e militantes são como estrelas, não morrem jamais. Viva Bruno Cattoni! 

Nossos dois queridos amigos foram levados pela mesma doença. Mas não cabe falar dela agora. Hoje, em meio a tristeza de ainda termos que fazer premiações para dar luz aos que lutam pelos direitos humanos no Brasil, com a utopia de que um dia não haverá mais necessidade das militâncias por causas como o racismo, o preconceito, a falta de terra, o respeito aos índios, a defesa de nossos menores, a livre escolha, o trabalho sem escravidão, esse paraíso que nossas almas mais genuínas e talvez ainda imbuídas de um pouco sagrado de inocência e limpidez acreditam, na crença desta possibilidade e de termos vocês, nossos premiados, nossos membros do MhuD e pelo respeito e homenagem às almas de nossas estrelas que partiram, VicMilitello e Bruno Cattoni, que hoje fique apenas o sorriso e a felicidade de estarmos juntos. 

  

 

Apresentação do Trio das Quartas, com Aroeira, do MHuD.

 

Participação especial de Aroeira, Valéria Houston, Rafael Erê e Simone Mazzer.

 

Rafael Erê e as musicistas Alana Alberg (baixo) e Janaína Sabino (teclado).

 

 

AGRADECIMENTOS FINAIS

No coração, fica cada uma dessas pessoas, que fazem esta importante militância em prol do que já deveria estar resolvido. E assim vamos construindo, contribuindo, a fim de mais educação, mais cultura, menos fome, menos desigualdade, seja esta desigualdade de que departamento for. Um dia, neste teatro, quem sabe, apenas o encontro pra brindar a arte!

E que o melhor aconteça! Seguimos aqui, firmes, fortes, operantes, guerreiros. Que nós artistas possamos ser úteis quando necessários. Encerramos a noite de hoje com nossos sinceros agradecimentos ao Centro Cultural Banco do Brasil pela concessão do Teatro I e da área de realização de nosso coquetel após o evento, com nosso abraço especial às queridas Rosana e Marline, que fizeram a data ser possível juntamente à produção de “L, o Musical”. Sergio Maggio, diretor do L, fundamental diversos momentos, as produtoras Marina e Aninha, toda a equipe de “L, o Musical”, todo o nosso amor! Aos brilhantes artistas que hoje iluminaram nossa luta em prol dos Direitos Humanos com sua música: Rafael Erê, Simone Mazzer e Valéria Houston, Aroeira com seu sax, Janaina Sabino no teclado, Alana Alberg no baixo, vocês foram tudo; Lu Nabuco, por nossa assessoria de imprensa; à FASE,pelo coquetel que aguarda vocês lá fora; aos nossos artistas aqui presentes e aos que, impossibilitados por suas agendas, estão aqui de coração. À vocês, brilhantes premiados desta noite, que não nos deixam sozinhos nesta luta pelos direitos humanos, vocês não estão sozinhos,  contem com o MHuD sempre. 

           

 

 Lançamento da 18ª edição do

Relatório Anual da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos 2017

 

O lançamento acontece no início de dezembro, por conta da data da publicação da Declaração Universal de Direitos Humanos, 10 de dezembro. Mais informações abaixo.

Sobre o livro matéria assinada por Juliana Gonçalves no jornal Brasil de Fato: A Rede Social de Justiça e Direitos Humanos apresenta a 18ª edição do Livro Direitos Humanos no Brasil.

A publicação conta com uma série de artigos sobre direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais. A jornalista Daniela Stefano é uma das organizadoras. Ela que alerta que, neste ano, a publicação traz um registro dos resultados do golpe sofrido no Brasil após a saída de Dilma Rousseff da Presidência do país. "O que a maioria dos artigos trata é um descaso total do governo golpista de Michel Temer com a situação dos direitos humanos", disse. A documentação é realizada desde os anos 2000.

Participam dela diversos autores que têm amplo trabalho de ativismo nos temas d e saúde, trabalho, acesso à terra, imigração.  Além disso, de acordo com Stefano, é um trabalho constante garantir o protagonismo de algumas falas na publicação. Ela cita como exemplo o artigo que aborda a importância do estado laico, de autoria da Neon Cunha, mulher trans negra; e outro sobre ensino superior, assinado pelo coletivo Levante Indígena. Outro autor é Guilherme Delgado. Seu artigo intitulado de "Terra, trabalho e dinheiro: qual é o sentido da des(regulação) ora em curso" abre a publicação. Pesquisador e membro da Associação Brasileira de Reforma Agrária, Delgado avaliou mudanças na legislação no governo Temer.  "O processo de desconstrução dos direitos sociais ligados à terra e ao trabalho. Tudo isso a serviço da acumulação do capi tal financeiro", pontuou. Delgado acredita também que o relatório é importante instrumento de denúncia da violação dos direitos humanos que vem ocorrendo no Brasil. 

            

 

Mais fotos:

 

  

  

 

    

    

  

              

     

         

             


FOTOS: Salete Hallack

Outorgados pelo MHuD, nos últimos 11 anos: TODAS AS PREMIAÇÕES  

 

                                                           Quem foi João Canuto      

Após várias ameaças de morte, o dirigente sindical, João Canuto, foi assassinado com 18 tiros, no dia 18 de dezembro de 1985. Ele era perseguido principalmente por sua luta pela reforma agrária. O crime foi planejado por um grupo de fazendeiros do sul do Pará, entre eles Adilson Carvalho Laranjeira, fazendeiro e prefeito de Rio Maria na ocasião do assassinato, e Vantuir Gonçalves de Paula. O inquérito foi concluído oito anos após a ocorrência do crime. A denúncia foi feita pelo Ministério Público apenas em 1996. Um ano depois, sob ameaça da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) de condenar o governo brasileiro pela demora na apuração dos fatos, o andamento do processo foi agilizado. Em 1999, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana devido à lentidão na apuração do caso. Sob pressão de organizações de direitos humanos, em 2001, os dois acusados foram pronunciados como mandantes do assassinato.

Vale ressaltar, entretanto, que a perseguição e violência contra os trabalhadores rurais continuam na região. Cinco anos após a morte de Canuto três de seus filhos, Orlando, José e Paulo, foram seqüestrados e dois deles foram assassinados. Orlando sobreviveu, mas ficou gravemente ferido. Expedito Ribeiro, sucessor de Canuto na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi assassinado em 2 de fevereiro de 1991. Um mês depois, Carlos Cabral, sucessor de Ribeiro e genro de Canuto, foi ferido num atentado a bala.



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