Brasília - O Senado Federal
Atualmente, são elementos que caracterizam trabalho análogo à escravidão: condições degradantes de trabalho (incompatíveis com a dignidade humana, caracterizadas pela violação de direitos fundamentais coloquem em risco a saúde e a
"A proposta que deve ir à votação no plenário do Senado pretende

A proposta para regulamentação da emenda estava tramitando na Comissão de Constituição de Justiça e Cidadania do Senado (CCJC) e havia um acordo com a Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo para que fossem convocadas mais audiências públicas a fim de ouvir
A manobra no Congresso teve reação imediata nas entidades que combatem o trabalho escravo no país. Diretora do Movimento Humanos Direitos (MHuD), a atriz Dira Paes, enviou mensagem ao presidente do Senado, Renan Calheiros, foi uma das primeiras a se manifestar, através de e-mail enviado ainda na noite desta quarta-feira:
"Caro Senhor Presidente do Senado Renan Calheiros
Venho por meio desta, perdi-lhe que interceda sobre a possibilidade de votação para amanhã, do Projeto de Lei do Senado 432. O projeto é do senador Aníbal Diniz, que diz respeito à expropriação das propriedades rurais e urbanas onde se localizem a exploração do trabalho escravo.
A votação pode ser marcada para amanhã. É imprescindível que hajam audiências públicas antes da votação.
Todos nós envolvidos na campanha contra o trabalho escravo estamos extremamente preocupados com o retrocesso que esta votação pode causar.
Contamos com a sua ponderação, pois acreditamos nos avanços e conquistas do país contra essa mancha irreparável da escravidão vigente na sociedade brasileira.
Agradeço a atenção e a consideração,
Dira Paes".
Representando a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o ator Wagner Moura, também se pronunciou sobre a manobra em e-mail a Renan Calheiros.
"Caro Senhor Senador Renan Calheiros,
Meu nome é Wagner Moura, sou ator brasileiro, fiz alguns filmes que talvez o senhor tenha assistido, como Tropa de Elite. Além disso, venho trabalhando junto a OIT como Embaixador da Boa Vontade, especificamente na luta mundial contra o trabalho escravo. Em viagens por vários países tenho tido o prazer de dizer que o Brasil é protagonista mundial dessa luta. Nenhum país tem em seu código penal uma definição tão abrangente de trabalho análogo à escravidão. Em nosso país, como o senhor sabe, trabalhos em jornadas exaustivas, em condições que degradem a natureza humana, por dívidas ou forçados são considerados como trabalho análogo ao escravo. Isso é motivo de orgulho de muitos brasileiros e de admiração mundo afora.
Com a votação, por pedido de urgência no Senado, do projeto de lei que regulamenta a emenda constitucional 81\2014 estaremos correndo o risco de mais um grande retrocesso no nosso país. O projeto de lei, que em seu nascedouro seria mais um instrumento na luta contra a escravidão contemporânea, já que confisca terras onde forem encontrados trabalhadores escravizados, terminou por servir a uma manobra sorrateira da bancada ruralista no sentido de retirar da definição brasileira de trabalho escravo dois de seus pilares mais importantes: a jornada exaustiva e o trabalho em condição degradante.
Lhe peço Senador, por meio desta mensagem, como brasileiro e Embaixador da Organização Internacional do Trabalho que o Senado não permita a concretização dessa manobra e que antes de colocar o projeto em votação, faça as necessárias consultas públicas a respeito desse tema.
Atenciosamente,
Wagner Moura".
http://odia.ig.com.br/ 11/12/2015 00:01:52
ONGs que combatem a escravidão comemoraram derrota da bancada ruralista
Brasília -

O requerimento aprovado às pressas no fim da noite de quarta-feira previa para ontem uma votação-relâmpago a fim de
A
A atitude ruralista teve reação imediata entre os ativistas que
No fim da tarde de ontem, veio o alívio, ainda que parcial, mas muito comemorado por quem combate o trabalho escravo no país. A emenda não foi votada no Senado, o que deve acontecer apenas na próxima terça-feira, após nova audiência pública para ouvir trabalhadores, atores envolvidos no combate ao trabalho escravo e demais representantes da sociedade civil.
“Esta proposta pretende ajudar a acabar com o trabalho escravo, mas mudando o que é trabalho escravo, e não combatendo diretamente o problema. Além disso, ela surge no meio desta balbúrdia que se instalou no Congresso sobre a discussão do impeachment”,denunciou Leonardo Sakamoto, presidente da ONG Repórter Brasil, referência na defesa dos direitos humanos no país.

