IV Fórum de Direitos Humanos realizado pelo MHuD
Rio de Janeiro, 11 de Dezembro de 2006 - CIRCO VOADOR
Abertura
Camila Pitanga - Mesa 1
Chico Diaz
Mesa 2
Ricardo Paiva
Vic Militello
Peça Menina Abusada
Hino Nacional
Marcos Winter
PRÊMIO JOÃO CANUTO
Suely Souza de Almeida
Grijalbo Fernandes Coutinho:
Nascido em Novo Oriente, no Ceará, é um magistrado cuja vida tem sido norteada por uma aguda visão social dos problemas brasileiros. Não por acaso, mas por vocação, é Juiz do Trabalho titular da 19ª Vara do Trabalho do Distrito Federal, tendo tido antes destacada atuação como Juiz do Trabalho Substituto no Distrito Federal, e nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul de Tocantins.
Tem publicadas as obras FRAGMENTOS DE ATIVISMO NA MAGISTRATURA E NOVA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO, esta em parceria com o juiz MARVOS NEVES FAVA, com o qual também corrdenou a publicação de JUSTIÇA DO TRABALHO: COMPETÊNCIA APMPLIADA.
Sua preocupação com a realidade do país não permitiu que sua atuação ficasse restrita aos duros afazeres da magistratura, e o reconhecimento dos colegas à seriedade de sua atuação o conduziu, sucessivamente, a ser eleito e reeleito Presidente da Associação de Magistrados Trabalhistas da 10ª Região - AMATRA X - cumprindo mandatos de 1999 a 2003, no segundo já acumulando a Vice-Presidência da Associação Nacional dos Magistrados Trabalhistas - ANAMATRA - para cuja Presidência foi a seguir eleito, cumprindo o mandato de 2003 A 2005.
Foi enquanto Presidente da ANAMATRA que Grijalbo teve seu primeiro contato com o Movimento Humanos Direitos, gentilmente fornecendo apoio a integrantes do MHuD que se deslocaram a Brasília para acpmpanhar a votação, em uma das Comissões da Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda Constitucional da expropriação de propriedades em que encontrado trabalho escravo.
Esse encontro foi de extrema importância, porque foi a partir dele que se intensificou a participação da Justiça do Trabalho no combate ao trabalho escravo, sendo hoje um dos alicerces dessa luta. Luta que ele, com a energia e o entusiasmo que caracterizam sua atividade, poderá agora expandir para além das fronteiras do país, eis que acaba de ser eleito o primeiro Presidente da Associação Latino Americana de Juizes do Trabalho, para o biênio 2006-2008.
Grijalbo Fernandes Coutinho, por sua decidida atuação social em prol da dignidade do trabalhador, é uma escolha feliz para receber este prêmio.
Raimunda Gomes da Silva:
quebradora de coco babaçu de São Miguel, Tocantins, tornou-se uma figura conhecida aqui e fora do Brasil pela sua luta contra os latifundiários e a favor dos posseiros e extrativistas. Ela começou a despontar no Bico do Papagaio. Ali conheceu e se tornou amiga de Josimo Moraes Tavares, jovem padre assassinado em 1986. Após o assassinato ela, camponesa, que não estudou na escola formal, filha de lavradores pobres, nove irmãos e seis filhos, abriu as portas de casa e a torrente de palavras que tanto domina e o canto, e saiu pelo mundo. Foi discutir questões ambientais e as questões das pessoas que aqui vivem. Por isso, colocou em sua agenda a reforma agrária, os créditos agrícolas, os problemas de gênero e os Direitos Humanos.
Reconhecida por seu carisma e coerências, tornou-se responsável pela Secretaria da Mulher Trabalhadora Rural Extrativista do Conselho Nacional dos Seringueiros, vice-presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais do Tocantins e foi tema de escola de samba em Palmas, no Tocantins.
Movida pela fé de pela busca da justiça viajou pela França, Estados Unidos, Canadá e pela China, enfrentou pistoleiros e perigos. Um exemplo de mulher, pela coragem e firmeza na sua defesa dos Direitos Humanos no mundo rural.
Ricardo Albuquerque Paiva:
professor e médico, especialista em cardiologia, cearense, mas, por mérito e medalha, “Cidadão de Recife”.
Nesta cidade pernambucana, revelou-se competente administrador de unidade de saúde e de Instituto Maternal, participou ativamente da criação da Cooperativa dos Cardiologistas, presidiu o Sindicato dos Médicos e o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco. Tudo isso é bastante. Revela o homem empreendedor e disposto.
Mas seus méritos vão além. Dr. Ricardo tem forte compromisso com os Direitos Humanos e tem sua vida dedicada à população mais marginalizada do estado que adotou como seu.
Coordenador do Centro de Estudos Avançados do CREMEPE, uma de suas atividades no momento é a participação em um movimento contra a exploração sexual de crianças e adolescentes.
Ele e seu simpático grupo percorrem cidades sertanejas e metrópoles tratando do tema com o poder público e a sociedade civil locais e apresentam em ruas e praças uma peça de teatro popular, o “Menina Abusada”. O elenco não possui ator profissional. Ele é composto por estudantes e profissionais de diversas áreas que estão convictos da justeza de sua causa. Dr. Ricardo, inquieto pelas justas causas, leva adiante, além de seu estado, a mesma preocupação. É amigo do MHuD e merece com sua turma esse prêmio.
Dom Pedro Casaldáliga:
bispo de São Félix do Araguaia, Mato Grosso, de 1971 a 2003, quando renunciou em função da idade e da saúde. Ele é conhecido pelo humor e como poeta e escritor, com obras publicadas no Brasil e no exterior. Dele e de Pedro Tierra, Milton Nascimento musicou a “Missa dos Quilombos”. Mas Dom Pedro não é conhecido apenas pelos livros, parcerias em músicas e filmes. É também conhecido:
pela defesa das causas latino-americanas, especialmente a indígena, a negra e a camponesa;
pelas contundentes denúncias a respeito da escravidão por dívida de pessoas na Amazônia desde 1971; pelo se destemor em enfrentar os perigos quando o que está em causa é a justiça.
Foi, diversas vezes, ameaçado de prisão, expulsão do país e morte durante a ditadura. A tal ponto que teve nos braços o corpo de padre João Bosco Bournier quando este foi assassinado em uma delegacia de polícia. O bispo e o padre tinham ido ao local impedir a tortura de uma mulher. O policial matou o padre possivelmente pensando estar matando o bispo.
Como frei Betto afirmou em artigo publicado recentemente, Dom Pedro é um herói e santo, talvez não devidamente reconhecido. Poderíamos afirmar que é um dos estrangeiros mais brasileiros que temos e um ilustre defensor dos Direitos Humanos. Não poderíamos deixar de homenageá-lo.
Mensagem de Dom Pedro:
AO IV FORUM NACIONAL DO MHuD
Receber um prêmio num Fórum que congrega tantas pessoas lúcidas e militantes na conquista e na defesa dos Direitos Humanos, é mais do que um prêmio: é uma celebração da memória subversiva e mais um compromisso na luta e na esperança.
A memória do mártir João Canuto, pela presença e pela voz da filha militante Lucia nos faz evocar todos os mártires de caminhada –elas e eles- que deram e dão suas vidas pelas causas da terra contra o latifúndio depredador; pelos Direitos Humanos contra toda exclusão ou marginalização.
As nossas causas são a nossa vida. Eu aceito agradecido este prêmio João Canuto pelas causas que tantas companheiros e companheiras vêm defendendo; mais concretamente nesta nossa região do norte do Mato Grosso e do sul do Pará. A Neide Esterci, pioneira nesta nossa região, na pesquisa e na denúncia, especificamente da problemática dos peões e dos posseiros, recebe o prêmio por mim, mas também o recebe ela própria muito justamente.
Agradeço de coração ao Movimento Humanos Direitos e renovo, dentro dos limites de um velho aposentado, a amizade, o compromisso e a esperança com todas e todos vocês. A luta continua. Os Direitos Humanos são também Direitos Divinos. Não nos faltarão a luz e a força do Deus da Terra, da Vida, da Libertação. N’Ele abraço a todas e todos vocês, com muita ternura.
Pedro Casaldáliga
09 de dezembro de 2006
Aurélio Andrade
nosso homenageado está com 44 anos, é casado, tem três filhos e nasceu em Miguel Lemos, no Piauí, onde vive até hoje. Seus pais eram lavradores e ele continua lavrador.
Há 20 anos, em 1986, desempregado, saiu de Miguel Lemos aliciado por um empreiteiro. Embarcou com outros amigos para a fazenda Tiraximim, no Pará. Na fazenda a situação não correspondia às promessas recebidas. Percebendo-se enganado, humilhado e, pior ainda, ameaçado por homens armados, empreendeu uma fuga da fazenda com outros cinco companheiros. Escaparam às 18 horas, caminharam toda a noite debaixo de chuva, com fome e amedrontados. Às cinco horas, conseguiram, em uma serraria, uma carona. Às 21 horas chegaram finalmente em Redenção uma cidade no sudeste paraense..
Pressionando pela necessidade, tentou ainda outra vez trabalhar no Pará dois anos depois. E não precisou fugir, mas também não obteve sucesso.
Compreendeu aos poucos que tinha experimentado um sistema de trabalho reconhecido como escravidão sob o pretexto de dívida. Com talento desde a infância, escreveu versos e musicou sua história. Aliou-se à campanha pela erradicação do trabalho escravo e se tornou amigo, desde 1998, da equipe da Comissão Pastoral da Terra do Piauí. Gravou um CD e, ano passado, a convite do Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, prestou um depoimento em um Fórum Internacional realizado na Praia Vermelha.
Homenagear o lavrador, poeta e cantor Aurélio, é homenagear a tantos outros que são em algum momento submetidos à escravidão no país.
Viva Cazuza
Thiago de Mello
Lançamento do Relatório
da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. DIREITOS HUMANOS NO BRASIL 2006
Estamos em construção.