2. Relatório de Fiscalização ................................................................ 04
3. Relatório dos Debates .................................................................... 13
3.0 – Relatório do Grupo Azul ................................................ 13
3.1 – Relatório do Grupo Branco ............................................ 16
3.2 – Relatório do Grupo Amarelo .......................................... 23
3.3 – Relatório do Grupo Verde .............................................. 27
4. Anexos dos Relatórios ..................................................................... 33
5. Tabulação das Pesquisas de Rua
5.1 – Gráficos da Tabulação dos Grupos Azul e Branco..............34
5.1.1 – Existe no Município ........................................... 34
5.1.2 - Total Destes..........................................................40
5.1.3 - Relativa à Qualidade dos Serviços Públicos. ........41
5.1.4 – Total Destes ....................................................... 44
5.2 – Gráficos da Tabulação do Grupo Amarelo..........................45
5.2.1 - Existe no Município .............................................45
5.2.2 – Total Destes ........................................................ 47
5.2.3 - Relativa à Qualidade dos Serviços Públicos. ........48
5.2.4 – Total Destes ........................................................ 50
5.3 – Gráficos da Tabulação do Grupo Verde.............................. 51
5.3.1 - Existe no Município ............................................. 51
5.3.2 – Total Destes ........................................................ 53
5.3.3 - Relativa à Qualidade dos Serviços Públicos. ........54
5.3.4 – Total Destes ........................................................ 56
6. Tabulação Geral das Avaliações do Filmes................................................... 57
1 - APRESENTAÇÃO
O CREMEPE, durante quatro anos, percorreu todos os municípios do Estado de Pernambuco, através da Caravana, com a finalidade de conhecer a realidade e a necessidade do povo pernambucano. Foram realizadas pesquisas nas ruas com a população, como também foram ouvidos prefeitos, secretários de saúde, conselheiros municipais tutelares e de saúde. Paralelamente, tivemos as fiscalizações nos hospitais e nos postos de saúde.
Com base nas experiências e constatações feitas nos municípios, as entidades médicas - Cremepe, Simepe, Fenam e CFM decidiram elaborar um filme, que é um misto de ficção e documentário, focando o abuso sexual da criança e do adolescente; analfabetismo de adultos; violência contra mulher; falta de lazer; drogas, má qualidade de assistência médica no interior; falta de tratamento de lixo; trabalho escravo; migração e desemprego;
A Caravana, formada por quatro equipes: Verde, Amarela, Azul e Branca, compostas pelos presidentes, conselheiros, diretores e funcionários do Cremepe e do Simepe; retornou aos municípios do Agreste Pernambucano entre os dias 10/05/10 e 14/05/10, levando o filme “Pela Vida... Pelo Tempo”, para através da arte-visual, seguida de um debate, provocar uma reflexão social no povo do nosso estado. Realizam-se também novas pesquisas referentes à qualidade de vida da população, às condições dos hospitais e postos de saúde.
2 - RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO.
Corra não pare, não pense demais
Repare essas velas no cais
Que a vida é cigana
É caravana
É pedra de gelo ao sol
Degelou teus olhos tão sós
Num mar de água clara
(Geraldo Azevedo e Alceu Valença)
1. Considerações iniciais
Este é testemunho coletivo de condições de assistência à saúde verificadas nas Caravanas do CREMEPE/ SIMEPE entre 10 e 14 de Maio de 2010.
A Caravana este ano se dedicou ao Agreste Pernambucano, onde, através de 04 equipes, realizou 40 vistorias em Unidades de saúde tradicionais e em Unidades de Saúde da Família, além de promover debates com a população sobre os problemas em cada município visitado. A “fiscalização” ou vistoria de unidades de saúde que oferecem atendimento 24 horas nos municípios é uma parte das ações desenvolvidas em cada cidade, tomada como momento de acurar o olhar sobre a unidade que recebe e deverá resolver a maior parte da demanda de saúde da sua população.
O maior desafio foi disponibilizar instrumentos e treinar sujeitos em 04 equipes para afinar o olhar, criar padrões, unificar perspectivas.
2. Principais observações
A seguir são apresentadas informações que sintetizam as principais observações de situações técnicas verificadas nestas unidades:
Fiscalização: Otávio Valença
Município
Unidade de Saúde
Principais problemas na Fiscalização
Arcoverde
Hospital Regional Rui de Barros Correia (Hosp. Regional de Arcoverde)
Unidade de maior complexidade, regional, atende cerca de 15 cidades do entorno. Referência para obstetrícia de alto risco, sem UTI neonatal
Demandas excessivas para equipe subestimada, com ausência de ortopedistas nos finais de semana.
Pouco acesso a materiais de reanimação. Cirurgias obstétricas com auxiliares de enfermagem e apenas um médico. Não existe Partograma nas rotinas da unidade
Venturosa
Unidade Mista Maria Bezerra
Escala médica com profissional fazendo 48 horas de plantão, com médico inscrito apenas no Ceará e sem plantonistas nos sábados.
Há cirurgias eletivas sem retaguarda de rotinas de esterilização minimamente adequadas e sem CCIH
Pesqueira
Hospital Dr. Lídio Paraíba
Contratos de trabalho frágeis. 01 obstetra nos plantões, apoiado por auxiliares de enfermagem, inclusive nos partos operatórios.
Não há carrinho nem material de fácil acesso para reanimação.
Alagoinha
Unidade Mista Eliziária Paes
Não há respeito à rendição entre os médicos. Uma médica faz 72 horas seguidas de plantão nos finais de semana, e outro faz 48 horas.
Capoeiras
Hospital Municipal Quitéria Alves Vilela
Unidade desorganizada, sem rotinas de enfermagem. Um médico dá 48 h de plantão nos finais de semana.
Banheiros precários, vasos sanitários e baldes sem tampa. Há possível falso médico na escala dos finais de semana.
Caetés
Unidade Municipal de Saúde Luíza Pereira de Carvalho
Escala de enfermagem nível superior incompleta. Médicos não esperam rendição.
Materiais de reanimação desorganizados. Rotinas de CCIH mal estruturadas.
Poção
Maternidade e Hospital Municipal de Poção
Escala médica incompleta, sem supervisão de enfermagem (só plantonistas). Ausência de materiais de reanimação disponíveis.
Sala de parto improvisada em local da expectação. Lavanderia precária. Funcionários recebem menos de um salário mínimo, em contratos verbais. Placentas são jogadas em vala cavada no quintal da unidade, a céu aberto
Canhotinho
Unidade Mista Antônia Alves de Melo
Médicos não esperam rendeiros. Nas cirurgias eletivas, médicos são auxiliados por técnicos de enfermagem. Não há sala de recuperação pós-anestésica nem rotinas seguras de anestesia. O processo de esterilização é inadequado e a lavanderia é manual.
São Bento do Una
Hospital Tereza Mendonça
Escalas de enfermagem insuficientes para a demanda de mais de 200 atendimentos / dia. Macas precárias nas áreas de internação e observação com colchonetes desgastados, sem resiliência. Repouso técnicas de enfermagem sem banheiro. Funcionários não recebem adicional noturno, insalubridade nem participam da produtividade SUS. Sala de parto sem fonte de calor para o RN.
Fiscalização: Polyanna Neves
Município
Unidade de Saúde
Principais problemas na Fiscalização
Gravatá
Hospital Dr. Paulo da Veiga Pessoa
Médicos com vínculos frágeis (sem férias ou 13 salário)
Pediatra apenas um dia na semana (segunda-feira), nos outros dias o clínico atende a pediatria
Um traumatologista (seg. a sex.) 9-17h de sobreaviso
Anestesista diurno para traumato e obstetrícia
Plantões com escala completa de clínica (02 ou 03 plantonistas), obsterícia (01 plantonista).
Média de atendimento: adulto (220), crianças (40) nas 24h
Sairé
Unidade Mista Olília Mendonça Souto Maior
Apenas um plantonista para atendimento generalista (adultos, crianças, gestantes
Sem médico na terça-feira e no final de semana
Média de atendimento: 70 nas 24h
Sala vermelha sem desfibrilador, sem laringoscópio, havia apenas um tubo traqueal número 6,0
Não há desfibrilador no hospital
Sala de parto não equipada
Medicações vencidas de novembro/2009 (atropina)
Falta das seguintes medicações: captopril, furosemida, salbutamol, berotec
Lavanderia artesanal
Não tem rx nem laboratório
Bezerros
Unidade Mista São José
02 clínicos de plantão, sem pediatra ou obstetra, clínico atende tudo
Média de atendimento: 150180 (adultos, crianças e gestantes) nas 24h
Não conta com laboratório e rx, estes são realizados no hospital jesus pequenino
Lavanderia com funcionários sem epi
Lixo hospitalar: contrato com a serquipe vencido, lixo amontoado fora do local apropriado por falta de espaço
Corredor único com enfermarias masculina, feminina, expectação e puerpério com livre trânsito de pacientes
Riacho das Almas
Unidade Mista João Soares Fonseca
Apenas um médico de plantão para atendimento de clínica, pediatria e gestantes
Tem parteira todos os dias
Média de atendimento: 80120 nas 24h
Média de parto: 05 por mês
Lixo hospitalar recolhido pela vigilância sanitária (pode estar sendo incinerado junto com o lixo comum)
Barra de Guabiraba
Unidade Mista Paulo Viana de Queiroz
Apenas um médico de plantão que atende adultos, crianças e gestantes
Não tem bloco cirúrgico
Não tem laboratório, nem rx
Lixo hospitalar armazenado em local não gradeado de fácil acesso à população e com o mesmo destino do lixo comum
Bonito
Hospital Dr. Alberto D’Oliveira
Apenas 02 clínicos de plantão para atender adultos, crianças e gestantes
Média de atendimento: 150 nas 24h
Média de partos: 1525/mês
Laboratório apenas diruno, não tem rx
Carrinho de anestesia não funcional, só administra anestesia locorregional
São Joaquim do Monte
Unidade Mista Presidente Castelo Branco
Falta pediatra na segunda, sexta e final de semana
Média de atendimento: 100 nas 24h
Não tem parteira
Realiza cirurgias de ginecologia, urologia (prostatectomia por rtu), oftalmológica (catarata), pequenas cirurgias em crianças (fimose)
Maternidade separada do hospital geral
Camocim de São Félix
Unidade Mista Nossa Senhora do Bom Parto
Apenas 01 médico de plantão para atender adultos, crianças e gestantes, e sem médico na segunda-feira
Média de atendimento: 80 nas 24h
Média de partos: 15/mês
Lavanderia artesanal
Cupira
Hospital Municipal José Veríssimo de Souza
Apenas 01 plantonista para atender adultos, crianças e gestantes com média de 150170 atendimentos nas 24h
Média de partos: 20/mês
Realiza as seguintes cirurgias: colecistectomia, hernioplastia, fimose, laqueadura tubária, histerectomia)
Bloco cirúrgico sem carrinho de anestesia
Agrestina
Hospital Geral Amélia Gueiros Leite
Filantrópico (IPAS – Instituto Pernambucano de Assistência à Saúde)
Apenas um médico para atender adultos, crianças e gestantes
Média de atendimento: 80 nas 24h
Tem parteira todos os dias
Média de partos: 20/mês
Sala vermelha sem laringo para crianças
Cruzamento de material sujo e limpo em frente à porta do bloco cirúrgico
Paredes infiltradas
Durante a pesquisa de rua foi mencionado o pagamento de cirurgias realizadas pelo SUS diretamente ao médico (R$ 1.000 a 1.500)
Fiscalização: José Tenório
Município
Unidade de Saúde
Principais problemas na Fiscalização
Santa Cruz do Capibaribe
Hospital Municipal Raymundo Francelino Aragão
A Emergência Pediátrica não possui uma admissão, triagem nem tão sala de espera adequada, móveis sem estofamento, ferros à mostra das cadeiras;
Consultórios não possuem privacidade nem condições de higiene adequada
Não existe sala de atendimento de emergência, e nem de nebulização compatíveis para um funcionamento minimamente aceitável.
Os banheiros são precários, vasos sem tampa e pia sem sabão e toalha;
Não existe fluxo adequado de Pré-parto – Parto - Puerpério, nem na esterilização
Não conta com Lavanderia e nem farmacêutico.
Brejo da Madre de Deus
Hospital Dr.: José Carlos de Santana
Não possui fluxo adequado de pré-parto – parto – puerpério, bem como fluxo adequado de esterilização;
Setor de parte de nutrição e dietética sem rotinas adequadas
Vertentes
Hospital e Maternidade de Vertentes - APAMI
Atendimentos além de quotas contratadas pela Prefeitura são pagas em carnês mensais de R$ 10,00;
Contratos de médicos sem carteira de trabalho;
Não há coleta seletiva de lixo, nem ambulância própria, porém havia 04 ambulâncias terceirizadas através da Prefeitura;
Não cota com fluxo adequado de esterilização;
Cozinha estava em reforma;
Durante a fiscalização constatou-se condições adequadas de atendimento aos pacientes, porém sem a divisão adequada entre adultos e crianças, poucos extintores de incêndio e com validade vencida;
Toritama
Hospital Nossa Senhora de Fátima
Não conta com sala de observação por sexo e para pediatria, com acesso a banheiros;
Esterilização sem mapa de controle de temperatura do autoclave;
Sem livro de controle das medicações psicotrópicas;
Setor de nutrição inadequada e com botijão de gás exposto, lavanderia e higiene inadequados;
Ausência de fluxo pré-parto – parto – puerpério;
Foi encontrada área construída totalmente inutilizada, além de janelas na enfermaria de clínica médica da mulher com metade da mesma dividida por uma laje, e as janelas da enfermaria de pediatria dando para o necrotério do hospital;
Taquaritinga do Norte
Hospital Severino Pereira
Conta com excelente estrutura física, porém não possui recursos humanos e nem financeiros, estando com várias enfermarias desativadas, além do laboratório;
Não tem fluxo adequado de PRÉ-PARTO – PARTO – PUERPÉRIO, na ESTERILIZAÇÃO nem na LAVANDERIA;
A escala de plantão e incompleta;
Altinho
Unidade Mista de Altinho
Unidade em reforma, no entanto com área vermelha adequada, bem como a farmácia,;
Ao lado do necrotério há um ponto de incineração de lixo hospitalar.
São Caetano
Hospital Adolfho Pereira Carneiro
Baixa resolutividade com falta de recursos humanos, ausência de ECG, Raios-X, e de rotinas de Emergência;
Surubim
Hospital Municipal Surubim
Inaugurado há menos de 02 anos, estrutura física adequada para grande capacidade de atendimento, porém há falta dos recursos humanos, como médicos e enfermeiros.
Santa Maria do Cambucá
Centro de Saúde Santina Falcão
O Centro é o único do município onde os fiscais constataram mais uma vez falta de recursos humanos, péssimas estruturas físicas, além da pouca resolutividade.
Frei Miguelinho
Hospital e Maternidade João Alexandre de Oliveira,
Escassez de recursos humanos e sobrecarga na demanda dos profissionais efetivos;
Precariedade da estrutura física;
Expurgo fica de frente a sala de parto e de observação mista;
Existe uma abertura na parede da cozinha que dá para rua;
Falta de cuidado com o lixo hospitalar: Materiais descartáveis e resíduos biológicos, como placentas, gases sujas de sangue e secreções, são depositados junto ao lixo comum
Fiscalização: SIMEPE – Malu
Município
Unidade de Saúde
Principais problemas na Fiscalização
São João
Unidade Mista Josefa Cordeiro Vilaça
Sala de parto sem material de reanimação;
Setor de nutrição e dietética inadequada;
Lavanderia não respeita fluxo de roupas e de funcionários, sem barreira física, sem EPI;
Não forneceu a escala de plantão que se encontra desfalcada de médicos;
Brejão
Unidade Mista Alice Figueira
O serviço não funciona 24h, o médico encerra o expediente às 17h – fica aberto mas só com enfermagem para encaminhar para o Dom Moura em Garanhuns.
A unidade está em reforma;
Lajedo
Hospital Maria da Penha Dourado
Tem um clínico de plantão24h. Às 22h encerra os atendimentos;
Só atendimentos clínicos de baixa complexidade;
Enfermeira só três dias na semana;
Não tem sala de emergência equipada com material de reanimação;
Não tem ECG;
Não tem Sala de parto, os partos são realizados em casa de parto;
Cozinha, lavanderia e higiene hospitalar inadequados, e não há coleta seletiva do lixo.
Calçado
Unidade Mista Nossa Sra. de Lourdes
Não tem enfermeira;
Sala de espera inadequada;
Sala de parto sem material de reanimação;
Lavanderia com fluxo inadequado;
Belo Jardim
Hospital Júlio Alves de Lira
Lavanderia mistura o fluxo de roupa, está implantando a coleta seletiva do lixo;
Sanharó
Unidade Mista João XXIII
Sala de parto sem material de reanimação;
Lavanderia artesanal;
Não tem coleta seletiva do lixo;
Prontuários não são preenchidos adequadamente;
Correntes
Unidade Municipal Mãe Kyolla
Material de emergência disponível( carrinho e ambu), porém o cilindro de O² não estava no ambiente;
Sala de parto adequada, fluxo pré-parto e parto e puerpério inadequado;
Bloco cirúrgico inadequado;
Medicações em falta: Paracetamol e Captopril;
Cozinha quente, botijões de gás expostos, sem exaustor. nem tela de proteção nas portas e janelas, cheia de moscas, funcionárias suadas e sem fardamento adequado;
Angelim
Unidade Mista Santa Terezinha
A escala de plantão médico está desfalcada, só tem médico na 4ª. 5ª e domingo, nos outros dias o colega de plantão informou que eram médicos estrangeiros e que tinham saído porque não tinham o CRM;
Não tem enfermeira;
Lavanderia inadequada e Sem coleta seletiva de lixo;
Jupi
Hospital Municipal Claudina Teixeira
Não tem material para atendimento de urgência;
Bloco cirúrgico desativado, virou depósito de sucata;
Bloco obstétrico e esterilização sem rotinas seguras;
Farmácia inadequada, não conta com farmacêutico responsável;
Sala de vacina sem ar condicionado e sem mapa de temperatura na geladeira das vacinas;
Copa / cozinha e lavanderia inadequadas;
Não tem coleta seletiva do lixo;
Prontuários não são adequadamente preenchidos;
Jucati
Jucati não tem hospital. Conta apenas com um centro de saúde que abre 24h, mas estava fechado no dia da nossa visita. Tem só auxiliar de enfermagem nas 24h, para liberar as ambulâncias e levar os pacientes para Garanhuns.
3. Normativos usados na fiscalização
Além do Código de Ética Médica, a vistoria das unidades de saúde de ampara em uma gama vasta de normativos, desde o Código Sanitário Estadual, passando por normas técnicas de segurança biológica.
Embora o enfoque da fiscalização seja educativo, a atenção à saúde da população está normatizada e muitos gestores e profissionais desconhecem por completo este terreno jurídico-político necessário à construção da cidadania.
A seguir são apresentados alguns destes normativos, aqui escolhidos pela maior incidência observada no seu descumprimento na maioria das unidades vistoriadas nas Caravanas:
RELATÓRIO GERAL RELATIVO À EXIBIÇÃO DO FILME “PELA VIDA... PELO TEMPO” E POSTERIOR DEBATE REALIZADO NA CARAVANA 2010 – ETAPA AGRESTE.
Apresentação do Grupo Azul
Lembrando nosso relatório de 2008 verificamos poucas evoluções no decorrer desses dois anos, a maior parte das cidades permanece com os mesmos problemas, as mesmas faltas, os mesmos esquecimentos, poucas mudanças podemos adjetivar de boas, como o caso de Poção onde há dois anos só chegava água de quinze em quinze dias e agora há fornecimento diário de água, porém a ausência de segurança pública, de saúde, de médicos, de educação e de empregos continuam.
Em Alagoinha já em 2008 sentimos o problema grave de prostituição e abuso sexual que não cessou, inclusive tivemos um caso recentemente estampado na mídia nacional e internacional, de uma menina de nove anos que engravidou de gêmeos do abusador; ela e o médico, que realizou o aborto, foram excomungados da igreja católica. No mesmo município, foi construída uma unidade mista que será citada no relatório da fiscalização.
Quanto à felicidade que a maioria da população expressa na entrevista, sentimos como sinônimo de uma falta de perspectiva para um futuro ao menos digno.
Arcoverde
Não foi possível apresentar o filme e em seguida realizar o debate, pois a equipe chegou atrasada e o secretário de saúde já havia dispensado o grupo que foi mobilizado para participar das atividades. Pediu-se desculpas pelo ocorrido e de todo modo foi realizada uma fiscalização no hospital Regional de Arcoverde; Assim como foram feitas entrevistas com dezoito pessoas, sendo nove homens e nove mulheres. De modo geral as pessoas se colocaram como felizes residindo no município e as dificuldades foram expressas de forma bem diversificada, as maiores queixas relacionavam-se ou ao transporte, ou à falta de emprego e também a segurança pública.
Venturosa
Não aconteceu a mobilização esperada, mas fizemos a apresentação do filme numa reunião de pessoas idosas que estavam comemorando o dia das mães, e em seguida foi feito o debate. O secretário de saúde compareceu e participou deste. Foram entrevistados sete homens e nove mulheres. A faixa etária classificou-se em pessoas acima de 50 anos, onde a maioria cita o emprego como a maior dificuldade e considera o acesso a saúde regular. Foi fiscalizada a unidade de saúde.
Pesqueira
Estiveram presentes inúmeros alunos de uma escola, o que enriqueceu fortemente o debate. Foram entrevistadas 18 mulheres com faixa de idade entre 20 e 50 anos, a maior dificuldade para estas, de modo unânime, é o desemprego e a falta de segurança pública; do mesmo modo se colocaram os sete homens entrevistados de faixa etária foi entre 30 a 50 anos.
Alagoinha
A reunião aconteceu com um número razoável de pessoas, porém o debate foi comprometido pelo secretário de saúde que achou por bem citar todos os projetos iniciados e que vão ser implementados em sua gestão, poucas pessoas além deste se manifestaram.
Foram entrevistados dez homens e nove mulheres a incidência de queixas situam-se relacionadas ao desemprego, insegurança e pouco acesso a âmbitos básicos de saúde.
Capoeira
As atividades aconteceram com número elevado de participantes, incluindo estudantes, agentes de saúde e pessoas ligadas à secretaria de saúde. O debate foi esquentado com opiniões que expressaram insatisfações quando a mobilização dos órgãos oficiais para resolução dos problemas, como a violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes, violência contra mulher, consumo de drogas, falta de acesso à saúde, educação e lazer. Foram entrevistados quatorze homens e oito mulheres, onde a maioria registra como sendo a maior dificuldade a falta de emprego, transporte e saúde.
Caetés
A cidade estava realmente mobilizada, e o debate foi bastante significativo. Fundamentalmente foi discutida a ilegalidade do transporte escolar de alunos em pau de arara, que por sinal havia vários em frente à escola. A secretaria de saúde colocou que há dificuldade em conseguir ônibus para realizar transporte para zona rural. Na rua foram entrevistadas dezesseis mulheres, onde se apresentou de maneira unânime queixas relativas ao desemprego, ao transporte e a falta de segurança pública.
Jataúba
Foi desmarcada a visita na cidade segundo ordens da coordenação geral, devido à distância.
Poção
A cidade estava mobilizada para receber a Caravana, inclusive obteve-se grande repercussão devido a um caso ressente de estupro ocorrido na cidade; o secretário de saúde colocou que as providencias estavam sendo tomadas. Foi recebida também uma carta anônima aonde relata a morte de uma criança por mau atendimento no hospital.
Foram entrevistados seis homens e quatorze mulheres. As queixas permaneceram relativas ao desemprego, ao transporte e a falta de segurança pública.
Apresentação do Grupo Branco
De modo geral, nas 10 cidades que nós, da equipe branca, visitamos encontramos os mesmos relatos de problemas crônicos não apenas ligados ao atendimento médico, mas à falta de opções de lazer, esporte e cultura; escolas públicas sucateadas; elevados índices de alcoolismo, especialmente, entre jovens; o crescente consumo do crack; problemas com o abastecimento de água, etc. Destaca-se, de modo particular, o tema também recorrente nestas cidades, é a questão da violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes. O silêncio em relação ao tema, observado não apenas nos debates realizados, como também nas ruas, na pesquisa com populares, diz, para nós, o quanto essa é uma questão delicada, cercada de tabus morais e políticos, que apenas dificultam a ação dos órgãos responsáveis e da própria sociedade civil, além do mais, sabemos que as redes de acolhimento não estão preparadas para receber as vítimas que chegam a fazer denúncias, e muitas vezes essa vítima vem a ser novamente violentada a seguir o protocolo de exames e entrevistas e em seguida, encarcerada em abrigos provisórios, mal equipados, geridos por pessoas não qualificadas, enquanto os agressores permanecem soltos.
O filme que exibíamos em cada cidade, foi capaz de suscitar o debate na maioria das paradas - excetuando-se casos como o da cidade de Bonito, onde a plenária constituída era majoritariamente apática e silenciosa, doando o seu direito de voz apenas aos especialistas (gestores do município). Aliás, o melhor que pudemos encontrar nestes debates foi, aqui e ali, "agentes multiplicadores", ou como diria Boal, "coringas", em sua maioria jovens, que não pertenciam a nenhum tipo de instituição, mas que demonstraram interesse ferrenho nas discussões, e já se mostravam comprometidos diariamente com práticas políticas reflexivas no campo da saúde em sua cidade.
Outro aspecto importante a ser investigado é o possível aparecimento de focos de corrupção do SUS. E o que não muda, é coleta precária do lixo, quando existe.
Gravatá
Notou-se pouca mobilização por parte da secretaria de saúde, representada pelo Sr. Ozano Brito Valença, e do município em geral para a realização do debate, porém mesmo estando esvaziado, foi proveitoso principalmente pela presença de representantes do sindicato dos trabalhadores rurais, onde se tomou conhecimento de inúmeras atividades realizadas na zona rural, principalmente voltadas para mulher, abordando temas como violência, educação, direitos trabalhistas entre outros. O conselho tutelar colocou a dificuldade em exercer seu papel devido à falta de articulação com outras autoridades competentes, segundo o mesmo são raros os casos em que se consegue levar os casos de abuso até a punição dos agressores. A representante da promotoria local ao chegar e ler o panfleto se retirou antes mesmo de começar a exibição do filme.
Nas ruas os pesquisadores tiveram dificuldades, talvez por se tratar de uma cidade grande, em aplicar o questionário, as pessoas resistiram em pararem seus afazeres para responderem as perguntas. A questão que se destacou por parte dos que responderam é o alto consumo de Crack, por pessoas de varias idades, principalmente adolescentes.
Sairé
Do mesmo modo tivemos pouca mobilização, apresentamos o filme para um público composto em sua maioria por um grupo de idosos, que ficaram um tanto apáticos com as atividades, o conselho tutelar, enfermeiros e médicos presentes não quiseram se colocar. Ao se falar que o hospital se encontrava em condições precárias de funcionamento, o secretário de saúde, o Sr. Paulo Lorenzo, expressou que irá tomar as medidas cabíveis, tivemos o hospital de Sairé como o pior visto por esta etapa da Caravana, ninguém quis falar sobre as condições de atendimento na unidade.
Nas pesquisas aplicadas, em geral o povo foi bastante acolhedor, a queixa maior parte dos jovens que julgam a educação no município precária e dessa forma não estão preparados para ingressar no ensino superior. Além disso, não existe nenhum tipo de atividade extracurricular, nem de lazer, nem profissionalizante o que tem levado os jovens a ociosidade ao alcoolismo precoce e também ao consumo de outras drogas. No hospital, grande parte dos medicamentos foram encontrados fora da validade, o povo afirma que raramente faltam medicações.
Bezerros
Tivemos um público médio, um fato curioso ocorrido durante a exibição do filme, foi de um professor ter retirado da sala seus alunos que tinham em média 13 anos de idade alegando que algumas cenas eram impróprias. Durante o debate, houve queixas de distribuição inadequada de verba do programa bolsa família por parte de agentes comunitários de saúde, inclusive está sendo feito um recadastramento; outra questão apontada por estes é que ainda existem muitas aeras descobertas, hoje existem 103 (cento e três) agentes comunitários de saúde na cidade e faltam serem contratados 46 (quarenta e seis), assim como estão com déficit de 3 (três)PSFs . Os conselheiros tutelares têm conhecimento de vários casos de abuso e exploração sexual contra criança e adolescente, inclusive apontam altos índices de gravidez na adolescência e em alguns casos conseqüência de abuso, porém segundo os mesmos, raros são os casos em que os agressores são devidamente punidos, principalmente devido à constância destes estarem dentro de casa. Os conselheiros também constataram aumento do consumo do crack no município.
Os entrevistados no geral apresentavam desconfiança ao dar informações sobre a cidade, as principais colocações competem a ausência de programas para jovens, a precariedade da saúde em geral, falta de medicamentos, de médicos especialistas, do constante deslocamento para outros municípios em busca de atendimento.
Riacho das Almas
O município realmente estava mobilizado, a secretária de saúde a Sra. Evalda Guerra se colocou participativamente nas atividades. Durante o debate houve denúncias significativas, uma professora alertou que devido a cidade estar no chamado circuito da moda, muitos jovens deixam as escolas em função de empregos em fábricas a custo de baixos salários. Inclusive existe o programa pró-jovem no município que está prestes a ser desativado devido à ausência de jovens matriculados. O conselho tutelar também possui conhecimento de casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes, é raro evoluir as denúncias até a punição devida dos agressores, além do pouco apoio do ministério público nesses casos. Também houve queixa de má distribuição de verba do programa bolsa família que contemplam 3.000 pessoas na cidade atualmente. O hospital estava em boas condições de funcionamento.
Os entrevistados se apresentaram bastante solícitos, foi citada a centralização do poder na figura do prefeito e ausência de participação popular, durante o debate o prefeito relatou que foi eleito várias vezes. Outra recorrência é que o conselho tutelar não é atuante relativo aos casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes, assim como nos casos de uso de drogas.
Barra de Guabiraba
Foi bastante instigante a realização do debate após a exibição do filme, apesar da secretária de saúde não ter se envolvido, os adolescentes tiveram brilhante participação, bastante politizados questionaram a administração pública diretamente aos gestores, denunciaram pontos de prostituição infantil, que acontece inclusive na única praça da cidade e na BR; colocaram que procuram algumas vezes o conselho tutelar para denunciar e pouco é feito. As áreas de lazer na cidade se resumem a uma praça que freqüentemente é tomada por usuários de drogas, inclusive o crack, e um campo de futebol, onde só os adultos podem jogar, (prometemos enviar uma carta ao secretário de esportes para que libere a quadra também para os adolescentes em algum horário adequado.) Segundo os jovens aos poucos o crack está se espalhando pelo município e visivelmente isso vem contribuindo com o aumento de violência e assaltos. O conselheiro tutelar colocou que existem em média 6 (seis) denúncias de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes por ano e em nenhum dos casos o agressor é punido. A questão da ausência de coleta de lixo foi colocada e inclusive do lixo hospitalar, que fica exposto apresentando fácil acesso à população, contendo objetos perfurantes e contaminados, inclusive há uma casa ao lado do hospital sem nenhum tipo de separação entre os mesmos, ou seja, esse lixo hospitalar fica também no quintal da casa de um cidadão. Os adolescentes colocaram também a questão da exclusão social, segundo eles foram construídas casas populares e entregues a pessoas que já possuíam casa própria e os mais necessitados nunca recebem qualquer benefício, inclusive do programa bolsa família. Queixam-se também da ausência de programas que visam capacitá-los para ingresso no ensino superior.
Os entrevistadores em geral foram bem recebidos pela população, as questões do debate tornaram a surgir, acrescentando paradoxalmente, a má distribuição do abastecimento de água, uma vez que a cidade é bastante rica neste bem natural.
Bonito,
O debate apesar da presença de inúmeras pessoas não foi tão significativo, poucas pessoas se colocaram, desde os primeiros contatos com a cidade foi extremamente difícil se comunicar com o Sr. José Marculino, secretário de saúde, que inclusive se encontrava com celular desligado durante nossa estadia e também não compareceu nem no debate, nem no hospital durante a fiscalização. Agentes de saúde brevemente colocaram a má distribuição de verba do programa bolsa família. E não houve maiores destaques.
A população no geral foi bastante atenciosa com os pesquisadores, foi colocado expressivamente a falta de assistência ao idoso e ausência de áreas de lazer além dos pontos turísticos naturais como as cachoeiras e mirantes.
São Joaquim do Monte
Podemos dizer que esta cidade foi o destaque positivo da Caravana, estava surpreendentemente mobilizada e foi bastante receptiva. O hospital, que na caravana anterior havia sido interditado encontra-se hoje em plenas condições de funcionamento, inclusive é referência em várias especializações médicas. O secretário de saúde, Dr. Neidson Cruz Menêses, durante o debate se comprometeu em ampliar as melhorias já apresentadas na saúde do município, para também atender os adolescentes que carecem de atividades culturais e de lazer, incentivando a criação de um grupo de teatro com na cidade.
As abordagens feitas pelos pesquisadores nas ruas da cidade foram bem recebidas, as queixas mais recorrentes competem à falta de programas voltados para os jovens, que naturalmente geram o consumo precoce de álcool e drogas; assim como precocidade nas relações sexuais. Outra questão é o transporte escolar de crianças da zona rural em pau-se-arara, que como sabemos vem colocando em risco a vida de milhares de crianças no nosso estado. Sempre existem relatos de acidentes inclusive com morte. Segundo moradores o conselho tutelar não é atuante, este também não se fez presente no debate após o filme.
Camocim de São Félix
Durante o debate foi perceptível e falta de articulação das secretarias entre si e entre os conselhos, principalmente o tutelar. Existe um jogo de responsabilidades entre os gestores e é perceptível a ausência de compromisso destes a respeito dos temas que foram abordados; alguns agentes de saúde se queixaram da má atuação do conselho tutelar e do ministério púbico. Segundo eles muitas vezes eles levam informações de determinadas famílias, inclusive casos de violência e abuso sexual que ocorrem dentro das casas contra crianças e adolescentes e poucas medidas são tomadas. O conselho Tutelar pareceu bastante preocupado em garantir a ordem das crianças e adolescentes, os conselheiros são freqüentemente acionados para interromper partidas de futebol ou jogos que acontecem no meio das ruas, e incomodam a vizinhança. É importante registrar que não existe no município um lugar adequado para o lazer. Já quando o conselho é acionado relativo a um caso de abuso ou maus tratos, segundo debatedores a agilidade não é a mesma.
Nas ruas as colocações basicamente se repetem, existem problemas relativos à segurança pública, faltam atividades recreativas e cursos profissionalizantes.
Cupira
Houve durante o debate vários relatos de casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes, inclusive por parte de policiais que freqüentemente assediam meninas a caminho da escola, a pessoa que fez a denúncia não quis dizer os nomes dos policiais, ou se ainda atuavam na cidade, Disse: “Acho que eles não estão aqui, eles foram embora, acho que já morreram ou qualquer coisa assim”. Outro aspecto é a falta de lazer, segundo uma agente comunitária além da escola não há nenhuma atividade para as crianças e adolescentes.
A população se mostrou insatisfeita com as políticas públicas do município, aos pesquisadores. Colocaram como maior dificuldade a questão da falta de empregos, a renda da população está diretamente ligada ou a aposentadorias ou a prefeitura ou a pequenos fabricos de confecção. Existe também a constatação do aumento do consumo de álcool e drogas, incluindo o crack, por parte de jovens. Também não existem áreas de lazer.
Agrestina
Notamos pouca mobilização do Secretário de Saúde, o Sr. José Valdemar Monteiro Jr., poucas autoridades competentes compareceram no debate, que foi totalmente ocupado por adolescentes e poucos moradores curiosos. Durante o debate algumas pessoas relataram que pagam por alguns exames e cirurgias, o hospital da cidade é filantrópico, e não sabemos até que ponto esses exames e cirurgias pagos são de competência do SUS ou não. Algumas cirurgias são pagas diretamente ao médico dentro do hospital, segundo relato de um morador. Tivemos também denúncia relativa à prostituição infantil em um ‘cabaré’ chamado BR Drinks; fomos averiguar a existência deste e encontramos uma garota aparentando cerca de 14 anos de idade grávida; Fizemos denúncia na delegacia do município (ANEXO B.O.).
Aos pesquisadores, moradores também levantaram questões relativas à prostituição infantil assim como a respeito do hospital filantrópico conveniado ao SUS cobrar alguns tipos de serviços. Foi citado ainda, o saneamento precário e inexistência de energia elétrica em alguns bairros. Além da recorrente ausência de lazer e programas profissionalizantes e também a questão do abandono dos idosos.
Apresentação do Grupo Amarelo
O público que compôs o debate foi bastante variado, desde crianças e adolescentes estudantes das escolas da região, profissionais de saúde, de educação, da assistência social, políticas de juventude, vereadores, sindicalistas, conselheiros tutelares, de saúde, funcionários do judiciário e populares. Também compôs o trabalho, além da ação fiscalizatória em unidades hospitalares e em unidades de saúde da família, escuta dos munícipes pelas ruas das cidades.
Fomos de uma forma geral muito bem recebidos em todas as cidades, apesar de alguma desconfiança por parte principalmente dos gestores locais, que insistiam em reforçar os pontos positivos de suas gestões, minimizando muitas vezes as reclamações e questionamentos por nós levantados. A lei do silêncio infelizmente ainda é uma realidade, mas conseguimos, principalmente por meio das escutas na rua, tomar conhecimento de sérias denúncias descritas mais adiante.
Ficou claro também para o nosso grupo a discrepância de mobilização do público para os debates, havendo municípios como Santa Cruz do Capibaribe, que contaram com platéia de cerca de quatrocentas pessoas e Surubim e Frei Miguelinho que conseguiram agregar menos de vinte pessoas.
As fiscalizações hospitalares encontraram realidades diferentes em cada município, mas em sua maioria percebeu-se problemas relevantes do ponto de vista infra-estrutural e de recursos humanos o que compromete sobremaneira a resolutividade dos serviços, fazendo com que a transferência de pacientes para serviços e cidades maiores seja uma regra.
As fiscalizações em Unidades de Saúde da Família também levantaram muitas preocupações. O número de USFs não atinge em sua maioria a proporção mínima estabelecida pelo Ministério da Saúde, demandando sobrecarga nos postos já existentes. Os horários de funcionamento das USF’s de uma forma geral estão reduzidos, no intuito de manter profissionais de saúde em seus cargos, especialmente os médicos, que de uma forma geral se mantém nos municípios por pouco tempo,acabando por circularem por cidades próximas. As infra-estruturas também apresentam precariedades e a própria Estratégia de Saúde da Família vem sofrendo com esses rearranjos.
A escuta dos populares nas ruas foi bem intensificada em nossa equipe, principalmente quando havia pouca platéia para o debate. Foram identificados diversos problemas como má distribuição de água, transporte escolar precário, desemprego, falta de oportunidades profissionalizantes, mau funcionamento dos hospitais, problemas de segurança pública, déficit no policiamento, aumento da presença de drogas, especialmente do crack, coleta de lixo insatisfatória, abuso sexual de crianças e adolescentes, violência contra mulher e contra idosos.
Surubim
Pouca mobilização do município, na platéia presença de alguns componentes da gestão municipal (educação e saúde) e somente um comunitário convocado por nossa equipe de rua. O Prefeito passou rapidamente e cumprimentou a todos, mas não participou do debate. A equipe encontrou USF urbana (USF Planalto) fechada em plena manhã de segunda-feira. Afirmou-se que seu funcionamento está atrelado ao horário de presença do médico, três vezes por semana. Hospital municipal com boa infra-estrutura, porém em sub-aproveitamento.
Aos pesquisadores as pessoas na rua reclamaram de problemas de saneamento básico, saúde e desemprego.
Frei Miguelinho
Cidade encontrava-se esvaziada à tarde devido impossibilidade de transporte dos moradores após as 13hs. Debate composto por poucas pessoas, alguns funcionários presentes, participação do prefeito, secretárias de saúde, de educação e alguns populares. Escutas de rua evidenciaram reclamações acerca de saúde (hospital com muitas deficiências), transporte (especialmente o escolar) e inexistência de áreas de lazer. O PSF urbano encontrava-se fechado no horário da fiscalização.
Santa Cruz do Capibaribe
No debate compareceram cerca de quatrocentas pessoas, foi possível um maior aprofundamento relativo aos temas abordados. Foi Identificado um grupo de estudantes adolescentes bastante politizados, assim como, estabelecidos pactos entre população e secretaria de assistência social.
Escutas de rua falam no aumento de oportunidades de trabalho, mas referem à precariedade da vinculação trabalhista. A Ausência de espaços de lazer e um aumento considerável da criminalidade e do abuso de drogas tornam a ser colocados.
Taquaritinga do Norte
O Debate foi bastante acalorado, apesar de pouca presença de populares. As maiores denúncias cabem ao pouco acesso aos serviços de saúde, desemprego, falta de perspectivas educacionais. O PSF possui horário reduzido de funcionamento: das 8h às 15hs, inclusive encontrava-se fechado na hora da fiscalização.
Santa Maria do Cambucá
Debate esvaziado, porém bastante acalorado. Assessoria jurídica do prefeito questiona grosseiramente as entidades médicas, responsabilizando os profissionais de saúde, especialmente os médicos por precariedade de saúde do município. Não entende ser de responsabilidade da prefeitura resolver tais problemas.
Recebemos denúncia em escuta de rua da existência de esquema de coleta de mensalidades em forma de doações para acesso aos serviços do SUS no município de Vertentes, organizados por instituição denominada APAMI, que promoveria inclusive transporte de pacientes com ambulâncias e carros da prefeitura de Santa Maria do Cambucá e de outros municípios circunvizinhos.
Vertentes
Entrevistadas direção do Hospital Maternidade APAMI sobre funcionamento do mesmo, bem como natureza de suas doações. Entrevistadas pacientes que colaboram com APAMI e descrevem a relação da mesma com o acesso à saúde no município. Denunciado no debate área no município onde é realizada prostituição infantil com o conhecimento dos pais.
Brejo da Madre de Deus
Debate realizado apenas com profissionais de saúde e estudantes de escola vizinha ao local de exibição. Queixas aos escutadores de rua, recorrentes sobre segurança pública (muitos assaltos a mão armada), saúde e drogas na cidade, além de desemprego e falta de lugares de lazer.
Toritama
Durante o debate soube-se que o problema do desemprego foi superado no município devido mercado aquecido da indústria têxtil (fabricos de jeans). Porém também existem crianças de diversas idades inseridas nestes trabalhos de fabricação de roupas, alguns fabricos cumprindo orientações do Ministério do Trabalho, outros, não.
Altinho
No debate contamos com a presença do promotor de justiça do município. Foi abordada fundamentalmente a questão da segurança pública precária no município, inexiste um policiamento efetivo na cidade, somente três policiais por turno. Existe um grupo de teatro de adolescentes no município e algumas iniciativas culturais como aulas de violino e estímulo aos esportes (natação).
São Caetano
Encontrou-se o hospital em péssimas condições de infra-estrutura. Existe no município Iniciativas de ações de prevenção e detecção de abuso sexual de crianças e adolescentes pelo CRAS e secretaria de assistência social. Foi perceptível durante o debate uma postura defensiva dos gestores quando tocadas as questões sobre precariedade da saúde, especialmente no tocante ao hospital.
Apresentação do Grupo Verde
Sanharó
A maioria do participantes do debate foram gestores. Detectaram-se altos índices em relação ao alcoolismo, consumo de drogas (principalmente a maconha) e violência domestica. Assim como numero crescente de assaltos cometidos por menores sob a supervisão de maiores. Existem dois programas no município são eles: Dois Tempos - que assistem 200 (duzentos) jovens de 7 a 17 anos e há seis meses foram implantados o PETI e PELC (Programas de esporte e lazer) para 200 alunos; Existe também a Unidade de saúde Barriguda que tem projeto para bacamarteiro. Não existe conselho municipal de saúde, e nem agentes comunitários de saúde suficientes. As Principais fontes de renda vêm das atividades pecuárias e bolsa família; 3000 (três mil) famílias estão atualmente recebendo os benefícios bolsa escola/ família. O conselho tutelar quando recebe denuncias, atua junto com uma psicóloga e uma assistente social. Segundo moradores, a policia é cooperativa, mas o efetivo é insuficiente, composto apenas por 5 (cinco) policiais e 1 (uma) viatura. Houve também denuncia a respeito de piscinas que funcionam como ponto de prostituição e drogas, o caso foi levado ao conhecimento das autoridades competentes, mas o juiz não interferiu com fechamento do local. Apesar de o município possuir um centro cultural e quadras de esportes, moradores ainda colocam que há na cidade falta lazer para o povo. Percebeu-se no decorrer das discussões que há uma distorção da visão dos gestores a respeito de qual é o seu papel real, muitas vezes esses gestores ficam tendendo a buscar soluções policialescas e de isolamento social; em alguns momentos o debate ficou truncado devido ao porte defensivo dos gestores. Outro tópico de discussão importante refere-se ao espaço conhecido como ‘Mulungu’ que é normalmente freqüentado por pessoas de fora que se reúnem p fazer raves, espécie de festa com músicas eletrônicas que chegam a durar 72 (setenta e duas) horas.
Belo Jardim
Debate contou com a presença de várias pessoas, sendo a maioria estudantes; o secretario de saúde também esteve presente. Foi constatado que o conselho tutelar apresenta boa integração com a polícia militar e o GATE. Apresentaram relatos referentes ao grande consumo de drogas por parte de jovens estudantes como os da Escola Cassiano, incluindo o crack. O município conta com instalações do CRAS e CREAS (atendimento especializado de média e alta complexidade na assistência social), O conselho tutelar juntamente a outros órgãos realizam trabalhos preventivos contra as drogas. Mas ainda existem vários pontos de exploração sexual e drogas, como um localizado no posto de gasolina Texaco, na BR. O conselho tutelar tem atuado nesses locais tentando identificar as vitimas, contando com apoio entre outros da Compesa, que distribui panfletos e também dos 158 (cento e cinqüenta e oito) ACS – Agentes Comunitários de Saúde. Existe grande número de denuncias de abuso sexual, inclusive pelo disque 100, porém não está estabelecida uma rede acolhimento estruturada para receber as vítimas. A cidade também não tem rede de saúde mental (CAP's) alegando falta de apoio financeiro; tão pouco onde tratar drogadicção, conta apenas com ações da igreja evangélica. Tem centro COAS com atendimento diário com palestras e testagem, mas não tratam AIDS.
Calçado
Colocou-se no debate que não existe lazer na cidade, logo muitos jovens passam a abusar no consumo de álcool e outras drogas. Além de facilitar a precocidade da sexualidade e a prostituição infantil. As autoridades têm conhecimento do consumo de bebidas por menores, mas não tomam providencias. Apresentado elevado número de violência doméstica associada ao alcoolismo. Segundo o conselho tutelar, muitas crianças apresentam traumas por sofrerem violência doméstica, assim como existem inúmeros casos de mães que deixam seus filhos pequenos sozinhos em casa para se prostituir. Soube-se que o Fórum da cidade funciona apenas um dia na semana.
Lajedo
Durante o debate surgiram vários relatos a respeito de abuso sexual inserido nas famílias. O município conta com atendimento psicológico, mas não comporta a demanda, pois tem apenas 4 (quatro) profissionais. O conselho tutelar se queixa da estrutura física precária em que trabalham; afirma ter parceria com a polícia militar, delegacia e promotoria. Existe grande quantidade de denúncias relativas a abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes, porém existe um problema de comunicação relativo ao disque 100, as denuncias através deste não chegam ate eles. Existem alguns pontos específicos em que foram detectados o exercício da prostituição infantil, seriam eles os quiosques da praça e também o posto de gasolina. Foi colocada em foco também a questão da ausência de áreas de lazer na cidade e suas conseqüências.
Brejão
O conselho tutelar, durante o debate colocou nunca ter recebido denúncias a partir do disque 100, não sabemos se por falta de comunicação entre o ministério público e o município ou se por ausência de denúncias através deste. Houve relato de vários casos de violência doméstica, na maior parte trata-se de mulheres espancadas pelos maridos, que temem fazer a denúncia em razão da dependência financeira dos agressores. A população tem conhecimento dos casos e do mesmo modo têm medo de denunciar primeiro pela possível retaliação e segundo por existirem pessoas influentes envolvidas. A violência está diretamente ligada ao alcoolismo. Vários bares na cidade são pontos de prostituição e drogas. O promotor tem conhecimento dos casos abordados. O conselho tutelar colocou ainda que não possui estrutura física necessária para exercer o trabalho com eficácia.
São João
PSF não tem médico todos os dias, existe grande dificuldade por parte dos gestores em contratar médicos. Os ACS – Agentes Comunitários de Saúde, na área urbana atendem em media 200 (duzentas) famílias e na zona rural 100 (cem). Segundo moradores a falta de empregos tem sido permanente há anos. Muitos relatos de casos de abuso sexual contra crianças entre 12 (doze) e 13 (treze) que muitas vezes ocorrem dentro de casa, além de casos em que essas jovens são encaminhadas à prostituição infantil. O conselho tutelar melhorou a situação depois de instituído, com muitos caos denunciados. O conselho colocou aos presentes que as denúncias muitas vezes chegam com informações incompletas sobre o endereço e isto dificulta na localização da vítima. Os professores também identificam alguns casos e constantemente procuram o conselho tutelar que encaminha as supostas vítimas ao psicólogo. O conselho coloca que necessita de maior apoio do governo do estado para desenvolver alternativas de ressocialização das vitimas. Apesar de ter o psicólogo, há um numero insuficiente e as sessões de terapia são encurtadas prejudicando o tratamento. Segundo relatos muitos adolescentes estão se tornando usuários de drogas. A cidade também tem apresentado muitos casos de dengue e verminoses.
Correntes
Debate contou com presença do prefeito Nivaldo, que assistiu ao filme junto com a secretária de cultura e de assistência social, e também participou do debate. O conselho tutelar, segundo o mesmo, atua em parceria com a polícia. Quando recebem alguma denúncia, segundo o prefeito, dão toda assistência a vitima. Uma conselheira tutelar afirmou que há atendimento com um psicólogo e assistente social uma vez por semana. O prefeito colocou que a prefeitura juntamente com a policia civil e militar tentam reprimir o uso de drogas e que tem investido na construção de um espaço de Artes, um Cine-teatro e uma nova biblioteca pública, além da parceria com a academia das cidades. Esta tentando criar a Secretaria da Mulher diretamente ligada à prefeitura, mas esta com a lei de responsabilidade fiscal estourada em 54%. Existe apenas um CRAS, mas que já tem verba para construção de outros CRAS nos Distritos.
Nas escutas de moradores locais, foi citada principalmente a existência de prostituição infantil e drogas no bairro Alto São Jose. Alcoolismo presente, porém existem mais queixas com relação a outras drogas. Falta de segurança e saneamento básico. Estrutura física do PSF precária. Tem quadra de esportes e aulas futebol para 90 crianças e projetos com aula de percussão.
Angelim
Presença de estudantes, professores, ACS's, conselho tutelar, entre outros. O conselho tutelar não recebe denuncias do disque 100, devido a problemas de comunicação. Conselho tutelar estabelecido há uma semana e aguardando capacitação. No debate uma jovem procurou a equipe separadamente e informou que sofria abuso sexual pelo pai desde os 5 (cinco) anos e agora que esta com 15 (quinze) resolveu denunciar e saiu de casa, está residindo na casa dos avós, foi rejeitada pela mãe e irmão e atualmente não conta ao menos com uma assistência psicológica. Procuramos a secretaria de Assistência Social que estava no local e se comprometeu a prestar atendimento à adolescente no CRAS. O conselho tutelar assumiu que já sabia do caso.
Nas escutas de rua falou-se em Alto índice de violência contra a mulher. Consumo de drogas na Rua do Açude, Embaixada e Invasão. Muitos casos de abuso sexual. E positivamente citaram a qualidade da escola.
Jupi
No debate foi fundamentalmente denunciado o transporte escolar em pau de arara pelos estudantes que compunham a maioria no espaço. Foram revelados também muitos problemas com alcoolismo e consumo de bebidas por adolescentes em plena praça publica. Relato de casos de abuso sexual com meninos.
Jucati
Não foram realizadas as atividades de exibição do filme e debate, devido a problemas no agendamento.
Para conhecimento de todos os interessados, o projeto de lei que apresentei para criar a COETRAE no estado do Rio de Janeiro. Qualquer modificação que se considere importante fazer no projeto, antes que se torne lei - pelo que precisaremos lutar -, pode ser feita através de emenda ao longo da tramitação. Portanto, são bem-vindas todas as sugestões para aperfeiçoar o projeto. Vamos continuar na luta para livrar o Brasil e o RJ desta vergonha que é o trabalho escravo. Abraço fraterno, Molon.
alessandromolon@globo.com
PROJETO DE LEI Nº 3080/2010
EMENTA:CRIA A COMISSÃO DE ERRADICAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – COETRAE/RJ.
Autor(es): Deputado ALESSANDRO MOLON
A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
RESOLVE:
Art. 1º. Fica criada a Comissão de Erradicação do Trabalho Escravo do Estado do Rio de Janeiro – COETRAE/RJ, vinculada à Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos.
Art. 2º. Compete à COETRAE/RJ:
I – elaborar o Plano Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo e acompanhar a sua implantação e execução;
II – propor atos normativos que se fizerem necessários à implementação do Plano de que trata o inciso I deste artigo e acompanhar a tramitação de matérias propostas na Assembléia Legislativa;
III – acompanhar e avaliar os projetos de cooperação técnica relacionado ao tema, firmados entre o Estado do Rio de Janeiro, a União, os Municípios e/ou entidades não-governamentais;
IV – propor a elaboração de estudos e pesquisas e incentivar a realização de campanhas relacionadas à erradicação do trabalho escravo;
V – elaborar e aprovar seu regimento interno.
Art. 3º. A COETRAE/RJ é integrada:
I – pelos representantes dos seguintes órgãos do Estado:
a) Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, que a preside;
b) Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento;
c) Secretaria de Estado do Ambiente;
d) Secretaria de Estado de Trabalho e Renda; e
e) Secretaria de Estado de Segurança.
II – por um representante:
a) do Tribunal Regional do Trabalho;
b) da Delegacia Regional do Trabalho;
c) do Ministério Público Federal; e
d) do Departamento de Polícia Federal.
III – por até 09 (nove) representantes de entidades privadas não-governamentais, reconhecidas nacionalmente, e que possuam atividades relevantes relacionadas ao combate ao trabalho escravo.
§ 1º. Os representantes de que tratam os incisos I a III terão suplentes indicados pelos respectivos órgãos ou entidades.
§ 2º. Podem ser convidados a integrar a COETRAE/RJ, como observadores, representantes de instituições públicas ou privadas, que possuam notórias atividades no combate ao trabalho escravo.
§ 3º. O vice-presidente da COETRAE/RJ será eleito entre os representantes, mediante votação por maioria absoluta.
Art. 4º. A participação dos membros na COETRAE/RJ não é remunerada e seu exercício é considerado de relevante interesse público.
Art. 5º. Regimento Interno deverá dispor sobre o funcionamento da COETRAE/RJ e a sua elaboração obedecerá ao prazo de 60 dias, a contar da designação, por Ato do Chefe do Poder Executivo, para compor a Comissão.
Art. 6º. Incumbe à Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos dar apoio técnico, administrativo e financeiro necessário ao funcionamento da COETRAE/RJ.
Art. 7º. As deliberações da COETRAE/RJ serão registradas em ata e publicadas no Diário Oficial do Estado.
Art. 8º. Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.
Plenário Barbosa Lima Sobrinho, 18 de maio de 2010.
Deputado Alessandro Molon
JUSTIFICATIVA
Apesar dos esforços recentes empenhados pelo governo federal, o trabalho escravo continua sendo uma chaga que assola nosso país. Em nosso Estado, especialmente no noroeste fluminense, o problema é bastante grave. Inúmeros estudos e levantamentos revelam o alto índice de reincidência no crime de exploração de mão de obra escrava no Brasil. A pouca fiscalização e a certeza da impunidade criam as condições necessárias para que muitos insistam com a prática criminosa. Diante disso, além de intensificar as ações de fiscalização – articulando o combate ao trabalho escravo ao combate dos crimes previdenciários e ambientais, é mister adotar medidas que visam prevenir a impunidade. A ideia da criação do COETRAE/RJ insere-se nesse contexto, à semelhança do que já foi implementado em algumas outras Unidades da Federação.
A COETRAE/RJ constitui-se em um espaço integrado por representantes do governo, de trabalhadores, de empregadores e da sociedade. Sua missão é a de criar um Plano Estadual de Combate ao Trabalho Escravo, de coordenar a implementação de ações previstas nesse Plano, de acompanhar a tramitação de projetos de lei afetos ao tema e de avaliar a proposição de estudos e pesquisas sobre o trabalho escravo no Estado, entre outras atribuições. Peço apoio de meus pares para que seja aprovada essa importante iniciativa.
Nota de solidariedade
As entidades abaixo assinadas manifestam integral e irrestrita solidariedade ao Ministro Paulo Vannuchi, que hoje sofre o constrangimento de ver a Advocacia Geral da União assumir a defesa de torturadores assassinos de presos políticos em frontal oposição à responsabilização e punição de torturadores e seus mandantes.
O Ministro Paulo de Tarso Vannuchi é um militante dos Direitos Humanos histórico e nunca vacilou na defesa da Democracia e da Justiça. Sua posição em defesa da responsabilização e punição de torturadores e seus mandantes é baseada na Lei e na visão universal de Justiça.
Fazer a defesa de torturadores é defender a tortura, garantir a impunidade, favorecer sua reprodução aos agentes atuais e incentivar sua prática nos dias de hoje.
Repudiamos a ação da AGU em defesa dos torturadores e exigimos uma urgente retratação pública de seu responsável.
Assinam:
- Fórum Permanente de ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo
- Grupo Tortura Nunca Mais - São Paulo
- Associação dos Anistiados e Aposentados do Estado de São Paulo
- Grupo Tortura Nunca Mais - Paraná
- Comissão de Familiares de Presos Políticos Mortos e Desaparecidos
- Fórum de Anistia e Reparação do Estado do Rio de Janeiro
- Instituto Sedes Sapientiae
- ADNAM - Associação Democrática e Nacionalista dos Militares
- Comitê Catarinense Pró Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos
- Memorial dos Direitos Humanos - Santa Catarina
- Observatório das Violências Policiais - São Paulo
-
Movimento dos trabalhadores rurais sem terra- MST
- MHuD - Movimento Humanos Direitos
Nota de repúdio
As entidades abaixo-assinadas manifestam seu mais veemente repúdio à posição adotada pelo Advogado Geral da União, José Antônio Dias Tóffoli, em defesa dos agentes torturadores. Tal posição vai em sentido contrário dos anseios da Sociedade Brasileira, que exige apuração, responsabilização e punição de autores e mandantes de torturas contra presos políticos durante a ditadura militar.
As alegações da AGU servem de argumentos para a defesa dos torturadores e coloca a sociedade brasileira na condição de refém de criminosos impunes e acima da Lei. Essa impunidade é um convite a novas agressões aos direitos humanos por outros agentes do Estado atual.
Exigimos que a Advocacia Geral da União faça uma retratação pública de sua posição equivocada e se coloque ao lado da Justiça e da Verdade, contra a tortura e os torturadores.
Assinam:
- Fórum Permanente de ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo
- Grupo Tortura Nunca Mais - São Paulo
- Associação dos Anistiados e Aposentados do Estado de São Paulo
- Grupo Tortura Nunca Mais - Paraná
- Comissão de Familiares de Presos Políticos Mortos e Desaparecidos
- Fórum de Anistia e Reparação do Estado do Rio de Janeiro
- Instituto Sedes Sapientiae
- ADNAM - Associação Democrática e Nacionalista dos Militares
- Comitê Catarinense Pró Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos
- Memorial dos Direitos Humanos - Santa Catarina
- Observatório das Violências Policiais - São Paulo
- Movimento dos trabalhadores rurais sem terra- MST
- MHuD - Movimento Humanos Direitos
Estimados parlamentares e amigos da Via campesina Brasil
Em anexo estamos enviando osdocumentos que procuram explicar porque estamos mobilizados nessa semana. Nossa luta contra o modelo agricola do agronegocio. E abaixo, segue o documento- plataforma estruturante que apresentamos ao governo, e a imprensa no dia de ontem, numa coletiva de imprensa na sede da CNBB, em Brasilia.
PLATAFORMA DA VIA CAMPESINA PROGRAMAS ESTRUTURANTES DE CURTO PRAZO
1. Programa de reflorestamento 2 hectares por família camponesa.
Implementar programa nacional de florestamento e reflorestamento para o conjunto das famílias assentadas e camponesas do Brasil, beneficiando todos os Biomas. Deverá de ser fomentada a adesão das famílias à temática florestal buscando a instalação de sistemas diversificados de manejo florestal que possam produzir madeira, energia, sementes, fibras e produtos não madeireiros, além da preservação da biodiversidade e ampliação das florestas, contribuindo para o combate ao aquecimento global. Para isto é necessário:
- linha de credito especial para a implantação das florestas, com carência de 8 anos e 8 anos para pagar, com juro zero e bônus de adimplência de 40%;
- remuneração de serviço ambiental as famílias, repassando um salário mínimo mensal durante os 12 primeiros meses após o plantio da floresta;
- assistência técnica florestal de base agroecológica, acompanhada de capacitação técnica para a implantação, manejo e agro extrativismo sustentável;
- fomento com recursos sem reembolso, para a implantação de pequenos viveiros florestais, descentralizados e cooperados, a fim de promover o incentivo para coleta de sementes e multiplicação de mudas nativas de arvores de cada região;
- programa massivo de educação ambiental, inserindo o conjunto das famílias, as escolas e demais estruturas organizativas dos assentamentos;
2. Programa de agroindústria familiar e cooperativa.
Implementar pequenas e médias agroindústrias familiares, comunitárias e cooperativadas descentralizando o beneficiamento dos alimentos, gerando emprego e mantendo a juventude nas pequenas cidades.
Para isto é necessário:
a) Linha de crédito subsidiado com prazos longos;
b) Mudanças na legislação sanitária garantindo a qualidade do produto final;
c) Assistência técnica específica para acompanhar as empresas comunitárias até sua consolidação.
3. Programa de compra de alimentos pela CONAB, armazenagem, garantia de preço e produção de alimentos básicos.
- Ampliação do orçamento do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) para 1 bilhão por ano, garantindo a compra estatal dos produtos da reforma agrária e agricultura camponesa;
- Estudos de viabilidade e implantação de agroindústrias familiares em áreas reformadas viabilizando a agregação de valor e inserção nos mercados locais;
- aquisição dos produtos da reforma agrária para comporem as cestas básicas distribuídas pelo Governo Federal;
- garantia de comercialização para os produtos ecológicos, com sobre preço de no mínimo 30% em relação ao mercado convencional;
4. Programas de agroenergia e energias renováveis para agricultores familiares.
Implementar pequenas e médias usinas integradas de alimentos e energia para produção de álcool, óleos vegetais e biodiesel, descentralizadas e multifuncionais, tanto em matérias primas como em produtos, priorizando o consumo local e estimulando os consórcios alimentares/energéticos.
Implementar pequenas unidades de produção local de energia elétrica e de economia energética: microcentrais hidrelétricas, biodigestores, micro e pequenos aerogeradores, pequenas termoelétricas de biomassa, placas solares, aquecimento de água com serpentinas em fogões à lenha.
Para isto é necessário:
a) Projeto piloto com recursos não retornáveis;
b) Linhas de crédito com subsídio e de longo prazo;
c) Sistema elétrico integrado podendo as unidades locais de produção colocar energia na rede quando produzir excedente e usar da rede quando estiver em déficit.
5. Empresa estatal de fertilizantes minerais, orgânicos e organo-minerais.
Constituição de uma Empresa Estatal Federal para atuar no ramo de fertilizantes minerais e organo-minerais, utilizando-se de pós de rochas, dos resíduos do xisto e matérias primas orgânicas disponíveis;
Programa nacional para produção descentralizada e em escala, de fertilizantes orgânicos através de cooperativas, comunidades e prefeituras, utilizando material orgânico do lixo urbano e outros resíduos agrícolas e industriais.
É necessário:
a) Estatização ou reestatização de todas as minas de fosfato e potássio existentes no país, por ser um insumo estratégico para a soberania alimentar da nação.
b) Destinação de recursos financeiros específicos não retornáveis e/ou financiamentos de longo prazo para estruturar pequenas indústrias de fertilizantes orgânicos e dos equipamentos para utilizá-los.
6. Programa de produção de leite/familiar.
- Garantia de preços mínimos compensadores para os pequenos produtores através de compras públicas exclusivamente da agricultura camponesa;
- Assistência técnica, capacitação e recursos financeiros para massificar entre as famílias camponesas a produção de leite à base de pasto, diminuindo custos, reduzindo a área utilizada e aumentando a produção.
- Recursos para estruturar cooperativas dos pequenos agricultores para recolher e resfriar localmente o leite das famílias camponesas bem como industrializar para o consumo regional.
7. Programa de investimentos em agroecologia nas escolas técnicas, universidades, etc.
- Financiamento de projetos de pesquisa e extensão rural pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (CNPQ e FINEP), MAPA e MDA nas áreas de agroecologia, agricultura familiar, tecnologias populares, agroflorestas. E que os mesmos sejam construídos em parceria com os movimentos sociais.
Universidades:
- Institucionalização dos grupos de agroecologia estudantil existentes nas universidades.
- Reforma Curricular legitimada pelo MEC dos cursos de ciências agrárias que contemple na grade disciplinas como agroecologia, sociologia e extensão rural nos semestres iniciais.
Escola técnicas
- Reconhecimentos pelo MEC do curso de nível Técnico em Agroecologia.
- Legitimar junto ao MEC habilitação do exercício da profissão de Técnico em Agroecologia conforme as atribuições curriculares.
- Investimentos financeiros para que as escolas Técnicas em Agroecologia tenha condições de se manter em área física de no mínimo 50ha de terra.
8. Programa Água Para Todos – universalização do abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto.
a) Implementar a lei de Saneamento já aprovada no Congresso Nacional. O saneamento tem recursos garantidos pelo FGTS.
b) Implementar as 530 obras do Atlas do Nordeste, propostas pela Agência Nacional de Águas que têm potencial para beneficiar 34 milhões de pessoas do meio urbano na região, exatamente onde o abastecimento de água ainda é mais problemático.
c) Implementar as obras de convivência com o semi-árido proposta pela Articulação do Semi-árido no meio rural – cisternas para consumo humano, para produção, caxios, barragens subterrâneas, etc. – já estipuladas nos programas “Um milhão de Cisternas” e “Uma Terra Duas Águas”.
9. Programa Nacional de Habitação camponesa e popular.
- Programa nacional de habitação camponesa que possibilite moradia adequada a todas as famílias camponesas, de todas as faixas de renda, em todo o território nacional, de maneira desburocratizada, como política social estratégica para conter o êxodo rural, manter a juventude no campo e repovoar as comunidades camponesas, aplicando, em escala crescente, tecnologias de bioconstrução.
Por isto reivindicamos a Implantação de um Amplo Programa de Habitação Camponesa para construir, reformar e ampliar moradias em todo o meio rural brasileiro, tendo como meta construir e reformar 300 mil moradias ano, com valores mínimos de R$ 16.000,00 por moradia, prazos longos (20 anos) e subsídios adequados (entre 50% a 80%) às faixas de renda das famílias camponesas.
Programa de produção de sementes e mudas nativas, crioulas e varietais.
- Recursos para multiplicar os bancos populares de Sementes Crioulas e Nativas;
- Recursos para multiplicar viveiros de mudas nativas e para implantação de agroflorestas;
- Implantação massiva de Centros de Preservação e Manejo da Agrobiodiversidade (CIMAS);
- Ampliação da pesquisa, melhoramento e produção de sementes varietais através da Embrapa e outros centros públicos de pesquisa e disponibilização de sementes e mudas básicas para as cooperativas e associações camponesas para multiplicação, com o devido acompanhamento técnico
11. Programa público de assistência técnica, extensão rural e capacitação.
- Fortalecimento da assistência técnica como instrumento estratégico da construção de um novo modelo de produção no campo, implantando massivamente um novo paradigma produtivo ambientalmente sustentável;
- Assistência Técnica, extensão rural e capacitação sistêmica e continuada;
- Ampliar os Programas de Assistência Técnica, incorporando projetos especiais, tais como: transição agroecológica, produção de sementes crioulas, produção de leite a pasto, diversificação da cultura do fumo, implantação de agroflorestas, crédito assistido com recursos públicos conveniados com as organizações dos camponeses/as.
12. Programa de ampliação da Educação do Campo.
- Aumentar significativamente os recursos financeiros das escolas de ensino médio, técnico e superior dos movimentos sociais tendo como base o repasse feito as instituições de ensino federal de estudante/curso.
- Enquadramento das escolas dos movimentos sociais nos PAA- Programa de Aquisição de Alimentos da CONAB.
- Melhorias da infraestrutura.
- Contratação de professores habilitados no curso Pedagogia da Terra para ministrarem aulas em assentamentos rurais.
- Implementação de Medida Provisória que impossibilite o/a estudante ficar sem ter aulas de determinada disciplina por mais de 10 dias.
- Investimento em programas para aquisição de materiais didáticos e audio-visuais e informática.
- Criação de um plano didático-pedagógico construídos por professores, pais, estudantes e movimentos sociais que contemple a realidade das escolas que possuem classes multisseriadas.
- Capacitação didático-pedagógica para professores que ministram aulas em classes multisseriadas.
13. Programa de mecanização agrícola adequada para agricultura camponesa.
- Disponibilização de máquinas e equipamentos adaptados às necessidades da agricultura camponesa, leve, simples, resistente, rústica, econômica, barata, eficiente, multiuso e versátil, adaptada para desempenhar as várias atividades de uma agricultura diversificada. Prioridade para uma mecanização voltada a um novo modelo de agricultura, com produção diversificada, combinação de produção animal com produção vegetal, uso de adubação orgânica e armazenamento de água com irrigação de pequeno porte.
- É necessário:
Política industrial de estímulo a este modelo de máquinas agrícolas e financiamento de longo prazo para pagar;
Além da mecanização familiar e comunitária, necessita Infra-estrutura Pública Coletiva de apoio a mecanização camponesa, para serviços pesados, como terraplanagem, açudagem e outros serviços, de máquinas e equipamentos como trator-esteira, retroescavadeira poclain, trator com scraiper, caçambas, adquiridos pelo governo federal, custeados por governos estaduais e prefeituras, sob o controle social dos camponeses através de suas organizações.
I. MEDIDAS POLÍTICAS E LEGISLATIVAS
1. Reforma Agrária com retomada de desapropriação de grandes latifúndios.
2. Regularização imediata da terra indígena da Raposa Serra do Sol e a área dos Guaranis – Caiová no MS e Mbiás Guaranis do RS.
3. Aplicação imediata, em nível nacional, da Tarifa Social Baixa Renda de energia elétrica para os consumidores, de acordo com a decisão judicial de maio de 2007, do Desembargador Federal de Brasília Sr. Catão Alves.
4. Isenção de pagamento dos primeiros 100 kw para as famílias camponesas e o que for gasto a mais “equidade” com o preço paga pelos grandes consumidores de energia (R$0,06).
5. Proibição de vender/ceder terras para empresas estrangeiras.
6. Revisar a liberação do milho transgênico no Conselho de Ministros.
7. Revogar a MP da grilagem da Amazônia e o INCRA voltar a regularizar as áreas de Quilombolas.
8. Impedir a expansão do monocultivo de pínus e eucalipto.
9. Pela manutenção da Previdência Pública Universal e Solidária; Aprovação imediata do PL 6.852/06 e Revogação da MP 410.
10. Limitar a propriedade da terra em 35 módulos fiscais.
Há anos pressionamos pela aprovação de uma proposta de emenda constitucional que prevê o confisco das terras de escravagistas e sua destinação para a reforma agrária. No dia 12 de março, levamos mil pessoas a um evento no Congresso Nacional seguido de um abraço simbólico no prédio.
Vocês podem imaginar a dificuldade de fazer isso andar em Brasília devido à grande quantidade de deputados e senadores da bancada ruralista. Recentemente, eles até colocaram a PEC 438/2001 (o nome da criança) como a quarta proposta legislativa na lista das que mais podem trazer danos ao agronegócio. A economia antes dos direitos humanos.
O Movimento Nacional pela Aprovação da PEC do Trabalho Escravo começou um abaixo-assinado para pressionar o parlamento e fazer a proposta andar. Ele já estava circulando em papel, com milhares de assinaturas, e ontem lançamos a versão eletrônica. A intenção é checar a um milhão e entregar à Câmara dos Deputados como forma de pressão.
MAB/MOVIMENTO DOS ATINGIDOS POR BARRAGENS
Rua: Primeiro de Janeiro, 2860, Bairro São João
C.E.P: 77803-140, Araguaina - TO Fax: (63)3414 2275E-mail: mabamazonia@yahoo.com.br
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PROPOSTAS ESTREITO
A realização de um estudo de Impactos Cumulativos de todos os projetos sobre os Rios Tocantins e Araguaia;
Questões indígenas:
Ampliação das áreas Krahô, Apinajé e Gaviões;
Desentrusão da área dos Krikati;
A constituição de um fundo permanente para a garantia da soberania alimentar, ritual e proteção das áreas dos povos Timbiras.
1. Criação de um espaço de negociação onde cada seguimento, comunidade, povos apresenta suas pautas (Foro de Negociação), sob a coordenação do IBAMA e com a participação do MPF, MPE, FUNAI, SEAP, INCRA, Empresa, Famílias Atingidas;
2. Reassemtamento com módulo mínimo em de área com 40 hectares para as famílias que hoje não possuem terra;
2.1 Lote de com modulo mínimo de 27,3 sendo que a cada força de trabalho a mais na família será acrescida de 4,8 hectares por lote;
3. Para os proprietários de terra;
3.1 Com área de 1 hectare a 80 lotes de 80 hectares;
3.2 Acima de 80 hectares ate 180 hectares Equivalência de área;
3.3 Para os proprietários que sobreviver de terra com mais de 180 hectares e fizerem a opção pela terra, a empresa deve providenciar o Reassentamento ou permuta de áreas a eles;
4. As benfeitorias não relocaveis deveram ser indenizadas pelo preço de reposição;
5. Construção de uma metodologia de avaliação das frutíferas nativas levando em consideração as atividades que são desenvolvidas nas áreas que serão atingidas;
6. Construção de uma metodologia de avaliação das madeiras de lei e o aproveitamento das demais conforme as necessidades de cada famílias atingidas;
7. Disponibilidade de água para o consumo humano e animal para todas as parcelas;
8. Infra-estrutura familiar na parcela
8.1 Casa com área mínima de 80 M2 e variando conforme a composição da família;
8.2 Construção de um galpão no mesmo tamanho da casa adequando o mesmo segundo as atividades produtivas;
9. A compra de área deve seguir os seguintes critérios:
9.1 Indicação das famílias a serem reassentadas;
9.2 Avaliações agronômicas da terra, avaliando a disponibilidades de água, qualidade da terra e acesso às infra-estruturas coletivas (Saúde, educação, lazer e transporte);
9.3 A provação do mesmo pelo foro de negociação;
9.4 Sendo que existam famílias residentes nesta área as mesmas deverão ser reassentadas junto com as demais famílias sob a ótica dos mesmos critérios.
10. Direito a cada família de escolher o local de construção de sua casa em seu lote;
11. A cesso a todos os lotes energia de qualidade e disponibilidade de água pra o consumo humano e dos animais;
12. Proximidade dos centros urbanos;
13. Conservar e considerar o Maximo a proximidades das vizinhanças, parentescos;
14. Após a implementação dos reassentamentos devera ser definido as seguintes questões:
14.1 Preparo correção de uma área de terra, subsidio de sementes e demais necessidade que as culturas necessitarem;
14.2 No primeiro ano 9 hectares
14.3 No segundo ano 7 hectares;
14.4 No terceiro ano 5 hectares;
14.5 Disponibilização de um Kit de irrigação para cada famílias reassentadas;
14.6 A disponibilização de um Kit de animais para subsistência das famílias;
15. Para a realização de cursos e contratação de assistência técnica para assessorar as famílias reassentadas dever ser elaborado um plano de desenvolvimento dos reassentamentos tendo como base os PDA’s feito pelo INCRA ou os PDRs realizados nos reassentamento de Lajeado e peixe;
16 Providenciar aluguel de pastagem ao gado pelos de formação das pastagens nas novas áreas;
17. A contratação da Assistência técnica só poderá ser contratada após o debate dos critérios no foro de negociação, por um período de cinco anos;
18. A disponibilização de uma copia do Cadastro sócio econômico para cada uma das famílias;
19. Construir uma metodologia de avaliação das atividades de barqueiros, barraqueiros e ambulantes levando em consideração as atividades desenvolvidas como o tempo de atividades que ele desenvolve, o ganho que essa atividade lhe proporciona por ano e quanto tempo ele pode desenvolver essa atividade;
20. Garantir o direito de indenização dos pescadores/as levando em consideração a renda mensal e o peixe como uma das principais proteínas na alimentação dos ribeirinhos (com a participação da SEAP, considerando discussões da classe já existente em outros empreendimentos);
21. Construir uma metodologia de avaliação das atividades dos extrativistas, levando em consideração a renda anual de cada família, a disponibilidade das frutíferas nativas na alimentação da família (babaçu, bacuri, buriti, bacaba, açaí, murici, etc);
22. Realização de estudos por entidades neutras (Universidades Federais) sobre o lençol freático da área urbana do município de Palmeirantes, esclarecendo e analisando a possibilidade das famílias continuarem a residirem em uma área em salubre, considerando a cota de inundação da barragem e ainda as cheias cinqüentenárias, sendo que este estudo deverá ser feito nas demais áreas urbanas com o mesmo objetivo quando a comunidade tiver dúvidas em relação sua estabilidade de moradia.
Campanha de Combate ao Trabalho Escravo realiza ato em Brasília
No dia 12 de março, a partir das 10 horas, o Movimento pela PEC 438 e pela Erradicação do Trabalho Escravo realizará um Ato Público no Auditório Nereu Ramos, Câmara dos Deputados.
Desde 1995 mais de 28 mil pessoas foram libertadas, pelo governo federal, das condições de trabalho escravo em fazendas, canaviais, carvoarias, entre outros empreendimentos em todo o país. Afronta à dignidade humana, o trabalho escravo é crime cuja impunidade ainda prevalece. A Constituição Federal Brasileira prevê que toda propriedade rural deve cumprir sua função social não podendo, portanto, ser utilizada como instrumento de opressão e submissão de qualquer pessoa.
Diante disto, organizações, entidades e movimentos sociais realizarão, no dia 12 de março, próxima quarta-feira, no Senado Federal, ato público exigindo a aprovação da Emenda Constitucional 438/2001, conhecida como PEC do Trabalho Escravo, que prevê o confisco de terras onde for encontrado trabalho escravo, destinando-as à reforma agrária. A PEC foi aprovada no Senado Federal, em 2003, e foi aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados em 2004. Desde então, está parada, aguardando votação conclusiva.
O Ato Público constará da entrega de abaixo-assinado à presidência da Câmara, audiência com o presidente Lula, onde uma comissão entregará uma carta elaborada pelos participantes do ato, e abraço simbólico ao Congresso Nacional. A manifestação contará com a presença de trabalhadores rurais de vários estados, parceiros da Comissão Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), personalidades, artistas e lideranças políticas. A convite das sub-Comissões de Combate ao Trabalho Escravo do Senado Federal e da Câmara, respectivamente, o ato é promovido conjuntamente pela Campanha Nacional da CPT de Combate ao Trabalho Escravo, a ONG Repórter Brasil, a Via Campesina, o MST, a Fetraf Brasil, a Contag, o Fórum Nacional pela Reforma Agrária, o Sinait, a ANPT, a Ajufe, a AMB, o MhuD, a ANPR, a Anamatra, a OAB e demais parceiros da Conatrae e das Comissões Estaduais pela Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae) do Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí e Tocantins.
Serviço:
Ato Público contra o Trabalho Escravo – pela aprovação da PEC do Trabalho Escravo
Data/horário: 12 de março – a partir das 10 horas
Local: Auditório Nereu Ramos, Câmara dos Deputados – Brasília (DF)
Maiores informações:
Frei Xavier Plassat (coordenador da Campanha Nacional da CPT de Combate ao Trabalho Escravo) – (63) 9221-9957
Assessoria de Comunicação da CPT: (62) 4008-6406/6412 e Cristiane (62) 8111-2890
FÓRUM NACIONAL PELA REFORMA AGRÁRIA E JUSTIÇA NO CAMPO
Campanha contra tentativa de senadores de desmoralizar Grupo Móvel
Nos últimos dias os meios de comunicação noticiaram com destaque a visita dos senadores Cícero de Lucena Filho, Fernando de Souza Flexa Ribeiro, Jarbas de Andrade Vasconcelos, Kátia Regina de Abreu e Romeu Tuma, todos membros da Comissão Temporária Externa do Senado Federal à Fazenda Pagrisa, no município de Ulianópolis, no Pará, onde no final de junho, os auditores fiscais do Ministério do Trabalho, em ação de fiscalização, resgataram 1064 trabalhadores reduzidos à condição de escravos. A maior ação de resgate realizada até hoje.
Como era de se prever, três meses após os fatos, os senadores não encontraram nada e encerraram a visita desqualificando a ação dos auditores fiscais e tentando, ainda, intimidá-los com a ameaça de instauração de inquérito penal contra eles.
A relatora da Comissão, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), com evidente intuito intimidatório e contrário à livre manifestação de pensamento e de imprensa atacou a ONG Repórter Brasil e seu coordenador, Leonardo Sakamoto, pela publicação de notícias sobre o trabalho escravo, ameaçando-o de processo.
Diante disto, o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo e demais entidades abaixo relacionadas conclamam todos os movimentos sociais, as entidades sindicais, os ativistas em direitos humanos e a população em geral a se manifestarem em repúdio a essa conduta dos senadores da república.
É fundamental a participação de toda a sociedade brasileira na defesa da dignidade humana, da função social da propriedade, dos valores sociais do trabalho e da vida, repudiando a conduta dos senadores que atentam contra os direitos fundamentais dos trabalhadores e de toda a sociedade brasileira.
Por favor, subscrevam a proposta da carta abaixo e a reenviem a todos os senadores listados.
Atenciosamente:
- Fórum Nacional Pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (CONTAG – MST – FETRAF - CUT - CPT – CÁRITAS – MMC – MPA – MAB - CMP - CONIC – CONDSEF – Pastorais Sociais - MNDH – MTL – ABRA – ABONG - APR – ASPTA – ANDES – Centro de Justiça Global - CESE – CIMI – CNASI – DESER – ESPLAR – FASE – FASER – FEAB – FIAN-Brasil – FISENGE - IBASE – IBRADES – IDACO – IECLB - IFAS – INESC – MLST – PJR – REDE BRASIL – Rede Social de Justiça - RENAP – SINPAF – TERRA DE DIREITOS)
- Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos - SDDH do Pará - Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos, CDVDH de Açailândia-MA - Fórum maranhense pela Erradicação do Trabalho Escravo (FOREM) - Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo do Maranhão (COETRAE-MA) - Movimento Humanos Direitos (MHuD) - Grupo de Pesquisas sobre o Trabalho Escravo Contemporâneo (GPTEC) - Fórum de Combate ao Trabalho Escravo Portal da Amazônia - MT - Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH - Direitos Humanos da Prelazia de São Félix do Araguaia - MT
Proposta de Carta a ser enviada:
Excelentíssimos Senadores da República Cícero de Lucena Filho, Fernando de Souza Flexa Ribeiro, Jarbas de Andrade Vasconcelos, Kátia Regina de Abreu e Romeu Tuma.
Venho por meio desta manifestar o mais veemente repúdio à conduta intimidatória praticada por Vossas Excelências no tocante à recente ação de combate ao trabalho escravo ocorrido na empresa Pagrisa. Prática, essa, incompatível com o decoro parlamentar e a função que o Senado deve cumprir na garantia dos direitos fundamentais e na construção de uma sociedade justa e livre do trabalho escravo.
Também repudio de forma veemente as recentes declarações da senadora Kátia Regina de Abreu (DEM-TO), que atacou a ONG Repórter Brasil e seu coordenador, Leonardo Sakamoto, pela publicação de notícias sobre o trabalho escravo, ameaçando-o de processo, conduta contrária à livre manifestação de pensamento e de imprensa.
Estas posturas se contrapõem à defesa da dignidade humana, dos valores sociais do trabalho, da função social da propriedade, da vida e dos direitos sociais assegurados na Constituição Federal e representam um grave retrocesso diante das políticas públicas de erradicação do trabalho escravo e de garantia dos direitos dos trabalhadores.
É lamentável e preocupante que ao invés de atuar na defesa dos direitos fundamentais, Vossas Excelências defendam quem pratica o trabalho escravo e a cultura da impunidade e da morte.
Atenciosamente,
_____________________________________
As mensagens devem ser encaminhadas, preferencialmente por meio de fax ou na impossibilidade deste por e-mail, aos senadores:
MANIFESTO INTERNACIONAL DE DIREITOS HUMANOS - 19 MORTES COMPLEXO DO ALEMÃO
Em 27 de junho de 2007, o Estado brasileiro realizou no Complexo do Alemão operação policial executada pelas Polícias Militar e Civil do Estado do Rio de Janeiro em conjunto com a Força Nacional de Segurança, sob fundamento de combate e repressão à atuação de narcotraficantes. A operação contou com a participação de 1.350 agentes policiais, a utilização de 1.080 fuzis, 180.000 balas e teve duração de cerca de oito horas. Após o término da operação, o Estado divulgou a apreensão de 14 armas, 50 explosivos e munição de 2.000 balas, supostamente em poder de traficantes.
Entretanto, mesmo com as declarações públicas de agentes do Estado do Rio de Janeiro sobre a preparação desta operação e a utilização de atividades de inteligência para que houvesse o mínimo de risco à população civil, somente na operação do dia 27 de junho de 2007, 19 pessoas foram mortas e cerca de 60 foram feridas por arma de fogo, a maioria vítima de balas perdidas. Porém, entre o dia 2 de maio de 2007 e a presente data mais de 40 pessoas morreram e 80 foram feridas durante a série de operações policiais que vêm sendo realizadas no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro.
É neste contexto que a Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ solicitou um relatório independente sobre as 19 mortes ocorridas no complexo de favelas do Alemão, em virtude da mega-operação realizada no dia 27 de junho. O relatório, que foi feito com base nos laudos do Instituto Médico Legal a partir da análise de um perito independente, aponta que, pelo ângulo dos disparos, de cima para baixo, algumas vítimas estavam sentadas ou ajoelhadas . Ainda de acordo com o documento, as vítimas apresentam "inúmeros ferimentos" nos braços, resultantes de uma "autodefesa", além de tiros na nuca e pelas costas à curta distância .. Ou seja, no momento dos disparos fatais, elas procuraram, com braços e mãos, proteger cabeça e tórax, indicando, ainda, que as mesmas se encontravam desarmadas, o que se confirma na dissonância entre o numero de armas encontradas (14) e o numero de assassinatos cometidos pelas polícias (19). Dessa forma, fica cada vez mais latente a importância da independência dos laudos médicos, confirmando as observações levantadas pelos movimentos sociais e organizações da sociedade civil em visitas realizadas ao Complexo do Alemão, que desde então apontavam para uma verdadeira chacina na comunidade.
Os juristas, personalidades, movimentos e organizações abaixo-assinados vêm manifestar o seu apoio veemente às atitudes tomadas pela Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, que, em um ato de extrema coragem, enfrentou e desafiou a lógica da violência institucional inerente ao modelo de segurança pública, pautado na criminalização da pobreza e na militarização da vida social, que vem sendo implementado por sucessivos governos desde o final da década de 80 no Estado do Rio de Janeiro. Ao fiscalizar e denunciar esta que pode ser considerada a operação policial mais cruel dos últimos anos, a Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ está prestando um enorme serviço para a democratização do Brasil. Sua combatividade vem inspirando todas as entidades, grupos e movimentos populares que lutam pela justiça social no país.
Aos devidos órgãos oficiais, exigimos que sejam averiguados os indícios técnicos que sinalizam para a possibilidade de que houve uma deliberada destruição, por parte de agentes públicos, de provas dos crimes cometidos no complexo de favelas do Alemão. Solicitamos, também, que as análises técnicas dos laudos encomendadas pela Comissão de Direitos Humanos da OAB sejam levadas em considerações para apurar as barbaridades ocorridas no Alemão.
Por fim, repudiamos o caráter bélico dessa política criminal, onde a regra geral tem sido a promoção de operações governamentais com características militares de guerra nas comunidades populares- recolhimento das populações marginalizadas, revistas íntimas arbitrárias sobre transuentes (inclusive crianças de 3 anos de idade), vigilância ostensiva e confrontos armados sistemáticos em favelas. Trata-se do velho e conhecido projeto de tratamento penal da miséria, prática inconstitucional e ilegal, constantemente adotada por parte do poder público fluminense, violando frontalmente os princípios estabelecidos na Constituição da República Federativa do Brasil, na legislação infra-constitucional do país e nos tratados internacionais. Nesse sentido, por ter se tornado um referencial da luta pelos Direitos Humanos, saudamos a altivez e a determinação da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ na apuração das violações cometidas na Operação Complexo do Alemão!
1) Miguel Baldez - Professor / Universidade Cândido Mendes
2) Leonardo Chavez - Sub-Procurador de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro
3) João Luiz Duboc Pinaud - Professor / Faculdade de Direito Evandro Lins e Silva – IBMEC
4) Fábio Konder Comparato - Presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil
5) Organização de Direitos Humanos - Projeto Legal
6) Justiça Global
7) Dignitatis - Assessoria Técnica Popular.
8) Ana Claudia Diogo Tavares - Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola,
articulador da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares no Estado do Rio de Janeiro
9) Mariana Trotta - Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola,
articulador da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares no Estado do Rio de Janeiro
10) Francine Damasceno Pinheiro - Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola, articuladoras da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares no Estado do Rio de Janeiro.
11) Fernanda Maria da Costa Vieira - Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola, articuladoras da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares no Estado do Rio de Janeiro.
12) Mariana Reis - Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola, articuladoras da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares no Estado do Rio de Janeiro.
14) Victória Grabois - Grupo Tortura Nunca Mais/RJ
15) Mariana Patrício Fernandes - RG 12391406-1
16) Adriana Benedikt - professora PUC-Rio.
17) Elizabeth Serra Oliveira - Associação Ex-cola
18) Gustavo Dandolini - Advogado, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Porto Velho – Rondônia
19) Childhope Brasil
20) Rosalina de Santa Cruz - PUC/SP
21) Comitê Suíço de Apoio aos Direitos Humanos nas Favalas do Rio de Janeiro (Zurique)
22) Raquel Coelho Lenz Cesar
23) Erica Babini
24) Niciane Estavão Castro - Vila Velha/ES
25) José Carlos Brasileiro - Presidente do Instituto de cultura e consciência Negra Nelson mandela
26) Márcia Gatto - Secretaria Executiva da Rede Rio Criança e integrante da ONG Criança Rio
27) Instituto Brasileiro de Ciências Criminais
28) Andrea Machado Iannelli
29) Marcus Vinícius
30) José Cláudio Souza Alves - Pró-Reitor de Extensão da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
31) Wagner Gusmão - Professor da UFRJ e da Universidade Estácio de Sá
32) Maria Aparecida de Assis Patroclo - médica no Complexo da Maré
33) Regina de Castro - Coord. de projetos/CRIOLA
34) Fernando Carvalho Pereira
35) Fabianny Castro
36) Ignácio Cano - Professor da UERJ
37) Antonio Pedro Soares- Estudante de Direito UNIRIO
38) Carlos Eduardo G. Campos - Coord. de Projetos para Juventudes - CEAP
39) Observatório de Favelas
40) Articulação de Mulheres Brasileiras
41) Marjorie de Almeida Botelho - Instituto de Imagem e Cidadania
42) Instituto AMMA Psique e Negritude - Sao Paulo, SP
43) Francine Damasceno Pinheiro - Setor de Direitos Humanos do MST. Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola
44) Glória Mizael - Se Essa Rua Fosse Minha
45) Sueli Catarina - ONG Visão Mundial
46) Sabrina Roberta Luz Martins - RG: 3511363 - Diretório Acadêmico dos Estudantes de Geografia da UFF
47) Movimento Nacional de Direitos Humanos - Regional Leste (Rio de Janeiro e
Espirito Santo)
48) Centro de Direitos Humanos da Diocese de Nova Iguaçu
49) Rodrigo Lima Ribeiro Gomes - RG.: 12249611-0 - Mestrando da Faculdade de Educação da UFF
50) Daniel Caldas Gaspar – Advogado, Militante da Democracia Socialista
51) Fernanda da Silva Rodrigues Fernandes – Estudante de direito da UERJ
52) Hamilton Borges Walê - Movimento Negro Unificado/BA - Campanha Reaja ou Será Mort@
53) Andréa Lasserre – Designer
54) Nanko G. van Buuren - IBISS ; Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social
55) Maria Ignez Baldez Kato - Professora da Evandro Lins e Silva/IBMEC
68) Coordenação Regional de Estudantes de Direito do Rio de Janeiro
69) Maria Inês Souza Bravo - FSS/UERJ
70) Wagner Lacerda - Mestrando - Universidade Federal de Juiz de Fora
71) Márcia Leite - socióloga e professora da UERJ
72) Déborah Danowski
Rio de Janeiro, professora PUC-Rio
73) 8) Ludmila de Souza Fagundes dos Santos - Estudante/ História - UERJ
74) COMITE SUICA DE APOIO AOS DIRETOS HUMANOS NAS FAVELAS
DO RIO DE JANEIRO
75) Fórum Reage Baixada
76) ComCausa – Cultura de Direitos
77) Berenice Bento - Sociologa - Secretaria Geral da ABEH
78) Cíntia Aparecida Pereira Guimarães- Aluna De Ciências Sociais da
UERJ
79) 6)Luciane O. Rocha -
Socióloga / Ong Criola / Conselheira Nacional de Juventude
80) 7) Dario de Sousa
e Silva Filho - Sociólogo- UERJ
81) luzineide arantes
82) ABIA - Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS
83) 6) Paulo Cear Duarte Paes - Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Sousa - Campo Grande – MS
84) LUCIANE SOARES DA SILVA - FACULDADE NACIONAL DE DIREITO-UFRJ
85) Sérgio Verani – Professor / UERJ – Desembargador - Programa Cidadania e Direitos Humanos
86) Ana Paula Amorim da Silva Costa/Graduanda de Ciências Sociais/UERJ
87) Mary Garcia Castro - sociologa
88) Abong - Associação Brasileira de ONGs
89) >6) Márcia da Silva Costa - Universidade Federal a Paraíba
90) Comunidade Bahá'í do Brasil
91) Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva - CEDEFES.
92) 7) Marcela Lopes Menequini - Estudante - UERJ
93) Prof.Dr.Felipe Luiz Gomes e Silva - UNESP, campus de Araraquara.
94) Marcio Aurélio/Educador Social - Childhope Brasil
95) Anamaria de Souza Faundes- Antropóloga
96) Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia -
Esther Maria de Magalhães Arantes (Coordenadora), Monalisa Nascimento dos Santos Barros,
Maria Aparecida Silva Bento,
Fernanda Otoni de Barros,
Ana Luiza de Souza Castro
e Janne Calhau Mourão
97) Alexandre Wanderley Psicólogo SMS /RJ
98) Tiago Eli de Lima Passos - mestrando em Antropologia Social / Universidade de Brasília
99) Eva Dionizio, Aps/RJ, Cìrculo Palmarino/RJ, Sepe/RJ, Setorial de Negros-as do Psol/RJ e Psol/Vassouras
100) DCE UFF
101) Sandra Helena Ribeiro Cruz - Profª Adjunta do Curso de Serviço Social da Universidade Federal do Pará e Coordenadora do Projeto de Extensão Universidade Popular em Direitos Humanos
102) Alexandre da Silva Aguiar - SAPÉ - Serviços de Apoio à Pesquisa em Educação/RJ
103) CFEMEA – Centro Feminista de Estudos e Assessoria
104) IECERJ
105) Veridiana Alimonti/ Faculdade de Direito da USP
106) 6) Fernando Donato Vasconcelos - Médico e Professor Adjunto da Escola Baiana Medicina e Saúde Pública
107) Sandra – Lutarmada
108) João Luiz Duboc Pinaud – Práxis
Julita Lengruber – Diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da UCAM
109) Márcia Fernandes – Secretária Executiva da Associação pela Reforma Prisional
110) Luiz Eduardo Soares – Antropólogo, Secretário Municipal de Valorização da Vida e Prevenção à Violência de Nova Iguaçu
111) Miriam Guindani – doutora em Serviço Social , NIAC/UFRJ
112) Marcelo Castañeda – Núcleo de Pesquisas e Projetos Sociais da FFSD
113) Movimento Direito Para Quem
114) Movimento Nós Não Vamos Pagar Nada
115) Márcio Marins
Diretor Presidente do DOM DA TERRA
Coordenador de Interação com a Comunidade do Grupo Dignidade
Coordenador do Projeto Rede Comunitária de Direitos Humanos
Coordenador do Projeto Aliadas Paraná
116) Márcia Acioli - Cáritas Brasileira
117) Edna Del Pomo - NUESC/UFF
118) RedeCCAP
119) Agenda Redutora das Violências em Manguinhos
120) deley de acari,
poeta e animador cultural da favela de acari
121) Forum Popular do Plano Diretor
122) Campanha Contra o Caveirão/
/Organização de Direitos Humanos Projeto Legal /
/Justiça Global (21) 25442320/
/Observatório de Favelas/
/Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência (11) 22102906/
/Mandato do Deputado Estadual Marcelo Freixo (21) 98036087/
/Coordenação Regional de Estudantes de Direitos do Rio de Janeiro/
/Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos
/Raizes em Movimento
123) Leonardo Boff: da Iniciativa Mundial da Carta da Terra
Mmarcia Maria Monteiro de Miradnda Presidente do Centro de Defesa dos
Direitos Humanos de Petrópolis, RJ
124) Luiz Antonio Machado da Silva - IUPERJ/UCAM e IFCS/UFRJ
125) João Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado, professor do Mestrado em Direito da Universidade Federal do Espírito Santo e escritor
126) SARJ
127) MST
128) Patricia Birman - prof. UERJ
129) Diná da Silva Branchini - Ministério AA-AFRO-3ªRE, da Igreja Metodista
130) Movimento Negro Unificado do Estado de Pernambuco
131) Fernanda Araújo - Musicista pela paz - São Paulo/ Rj
132) Cíntia Maria Nascimento Cruz- Casa Brasil de Juventude- Ce e Rede de Jovens do Nordeste, membro do conselho nacional de juventude.
133) Rita de Cássia Pereira
134) Roberta Duboc Pedrinha – Profª IBMEC e UCAM / Núcleo de Estudos Criminais Evandro Lins e Silva
135) EDP Silva - CSC Lima Barreto – RJ
136) Lia de Mattos Rocha – Socióloga – IUPERJ
137) Denis de Oliveira Praça
Presidente da Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio de Janeiro
138) CLAUDIO DE SOUZA CASTRO FILHO
139) Claudio Oliveira - Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) - Rio de Janeiro
140) Alessandra Ferreira Nunes / Comerciante
141) Carlos Eduardo Rebello de Mendonça - Sociólogo – UERJ
142) Vagner de Almeida - ABIA - Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS- Rio de janeiro/Columbia University New York
143) Mônia Mariani Besch – Associação Brasileira de Pós Graduação em Saúde. Coletiva, Rio de Janeiro
144) StranJah - Moa Anbessa Sound System pela paz mundial - Sao Paulo /Chicago / Paris
145) Miguel - Addis Adubba Sound System , tambem pela PAZ Mundial, Ribeirão Preto
.
146) Agnaldo Fernandes, da UFRJ
147) Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência
148) Guilherme Marques "Soninho", do Núcleo Piratininga de Comunicação e pesquisador do IPPUR/UFRJ.
149) Frente Internacionalista dos Sem-Teto
150) Comitê Contra a Prisão, a Tortura e a Perseguição Política no Brasil
151) José Cláudio Alves - Académico de Direito - UGB - Volta Redonda – RJ
152) Pedro Paulo Braga - Bacharel em Direito pela Universidade do Palnalto Catarinense 2007/01
153) Claudia Santiago - Rede Nacional de Jornalistas Populares
154) Vitor Giannotti - Núcleo Piratininga de Comunicação
155) Carlos B. Vainer – Professor da UFRJ
156) Ana Carla Magni (Economista do IBGE, militante da Intersindical)
157) Cristina Braga - estudante de Serviço Social - Universidade Veiga de Almeida - RJ
Nós, 17.500 trabalhadoras e trabalhadores rurais Sem Terra de 24 estados do Brasil, 181 convidados internacionais representando 21 organizações camponesas de 31 países e amigos e amigas de diversos movimentos e entidades, reunidos em Brasília entre os dias 11 e 15 de junho de 2007, no 5º Congresso Nacional do MST, para discutirmos e analisarmos os problemas de nossa sociedade e buscarmos apontar alternativas.
Nos comprometemos a seguir ajudando na organização do povo, para que lute por seus direitos e contra a desigualdade e as injustiças sociais. Por isso, assumimos os seguintes compromissos:
Articular com todos os setores sociais e suas formas de organização para construir um projeto popular que enfrente o neoliberalismo, o imperialismo e as causas estruturais dos problemas que afetam o povo brasileiro.
Defender os nossos direitos contra qualquer política que tente retirar direitos já conquistados.
Lutar contra as privatizações do patrimônio público, a transposição do Rio São Francisco e pela reestatização das empresas públicas que foram privatizadas.
Lutar para que todos os latifúndios sejam desapropriados e prioritariamente as propriedades do capital estrangeiro e dos bancos.
Lutar contra as derrubadas e queimadas de florestas nativas para expansão do latifúndio. Exigir dos governos ações contundentes para coibir essas práticas criminosas ao meio ambiente. Combater o uso dos agrotóxicos e a monocultura em larga escala da soja, cana-de-açúcar, eucalipto, etc.
Combater as empresas transnacionais que querem controlar as sementes, a produção e o comércio agrícola brasileiro, como a Monsanto, Syngenta, Cargill, Bunge, ADM, Nestlé, Basf, Bayer, Aracruz, Stora Enso, entre outras. Impedir que continuem explorando nossa natureza, nossa força de trabalho e nosso país.
Exigir o fim imediato do trabalho escravo, a super-exploração do trabalho e a punição dos seus responsáveis. Todos os latifúndios que utilizam qualquer forma de trabalho escravo devem ser expropriados, sem nenhuma indenização, como prevê o Projeto de Emenda Constitucional já aprovado em primeiro turno na Câmara dos Deputados.
Lutar contra toda forma de violência no campo, bem como a criminalização dos Movimentos Sociais. Exigir punição dos assassinos – mandantes e executores - dos lutadores e lutadoras pela Reforma Agrária, que permanecem impunes e com processos parados no Poder Judiciário.
Lutar por um limite máximo do tamanho da propriedade da terra. Pela demarcação de todas as terras indígenas e dos remanescentes quilombolas. A terra é um bem da natureza e deve estar condicionada aos interesses do povo.
Lutar para que a produção dos agrocombustíveis esteja sob o controle dos camponeses e trabalhadores rurais, como parte da policultura, com preservação do meio ambiente e buscando a soberania energética de cada região.
Defender as sementes nativas e crioulas. Lutar contra as sementes transgênicas. Difundir as práticas de agroecologia e técnicas agrícolas em equilíbrio com o meio ambiente. Os assentamentos e comunidades rurais devem produzir prioritariamente alimentos sem agrotóxicos para o mercado interno.
Defender todas as nascentes, fontes e reservatórios de água doce. A água é um bem da Natureza e pertence à humanidade. Não pode ser propriedade privada de nenhuma empresa.
Preservar as matas e promover o plantio de árvores nativas e frutíferas em todas as áreas dos assentamentos e comunidades rurais, contribuindo para preservação ambiental e na luta contra o aquecimento global.
Lutar para que a classe trabalhadora tenha acesso ao ensino fundamental, escola de nível médio e a universidade pública, gratuita e de qualidade.
Desenvolver diferentes formas de campanhas e programas para eliminar o analfabetismo no meio rural e na cidade, com uma orientação pedagógica transformadora.
Lutar para que cada assentamento ou comunidade do interior tenha seus próprios meios de comunicação popular, como por exemplo, rádios comunitárias e livres. Lutar pela democratização de todos os meios de comunicação da sociedade contribuindo para a formação da consciência política e a valorização da cultura do povo.
Fortalecer a articulação dos movimentos sociais do campo na Via Campesina Brasil, em todos os Estados e regiões. Construir, com todos os Movimentos Sociais a Assembléia Popular nos municípios, regiões e estados.
Contribuir na construção de todos os mecanismos possíveis de integração popular Latino-Americana, através da ALBA - Alternativa Bolivariana dos Povos das Américas. Exercer a solidariedade internacional com os Povos que sofrem as agressões do império, especialmente agora, com o povo de CUBA, HAITI, IRAQUE e PALESTINA.
Conclamamos o povo brasileiro para que se organize e lute por uma sociedade justa e igualitária, que somente será possível com a mobilização de todo o povo. As grandes transformações são sempre obra do povo organizado. E, nós do MST, nos comprometemos a jamais esmorecer e lutar sempre.
REFORMA AGRÁRIA: Por Justiça Social e Soberania Popular!
Brasília, 15 de junho de 2007
A Aracruz Celulose, maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto, acusada de ser responsável pela tomada das terras de 32 aldeias indígenas, pela derrubada de 70% da Mata Atlântica no Espírito Santo e pela seca de 120 rios e córregos, hoje negocia a sua próxima vítima: o Estado do Rio de Janeiro.
Exportadora de 98% da sua produção, com instalações na Bahia, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, a empresa cujo capital divide-se entre Votorantim, Banco Safra, grupo Lorentzen (norueguês) e BNDES aguarda negociações com o governador Sérgio Cabral para a sua entrada no RJ.
Hoje a introdução de monoculturas de larga escala no Estado está condicionada à lei 4063/2003 que exige a realização de um zoneamento ecológico-econômico com a participação da sociedade civil garantindo a preservação ambiental e a qualidade de vida para a população fluminense. Mas esta lei está prestes à ser alterada.
No início do mês, o governador Sérgio Cabral enviou para a Assembléia Legislativa- RJ, em regime de urgência, um projeto de lei alterando a lei vigente no que diz respeito aos procedimentos relativos ao zoneamento ecológico-econômico o que facilitaria a introdução de monoculturas. O Secretário de Estado Júlio Bueno em audiência pública esclarece as intenções do governo ao discorrer sobre a importância da implantação de um pólo industrial de celulose e ressalta a contribuição econômica que a empresa Aracruz Celulose tem desempenhado nas regiões onde atua.
É importante lembrar que a monocultura de eucalipto gera 1 emprego para cada 183 hectares. Além disso, estudos internacionais comprovam que o eucaliptal reduz o fluxo dos rios em 52% e 13% dos rios secam completamente em um ano. A monocultura também é responsável pela eliminação de espécies animais, vegetais, erosão e perda de fertilidade dos solos.
Compatibilizar desenvolvimento econômico e sustentabilidade tem sido um tema debatido mundialmente e se revela um desafio necessário para garantir a sobrevivência digna no planeta durante os próximos tempos. Curiosamente este tema parece não interessar ao governo do estado. Sacrificar parte do território fluminense para atender ao interesse privado com a justificativa de promover o ‘desenvolvimento econômico’, desenvolvimento este que diminui a geração de empregos, representa desenvolvimento para quem?
Conseqüências previsíveis são o aumento do êxodo rural, violência, miséria, entre outros. Essa é uma história que o Rio de Janeiro não só já conhece como paga por ela todos os dias.
A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, QUE SE CONSTITUI “EM ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO”, “TEM COMO FUNDAMENTOS A SOBERANIA, A CIDADANIA, A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA” E “COMO OBJETIVOS FUNDAMENTAIS: “ERRADICAR A POBREZA E A MARGINALIZAÇÃO E REDUZIR AS DESIGUALDADES SOCIAIS E REGIONAIS”
Nossa Constituição é bem clara ao dispor que o meio ambiente equilibrado É UM BEM DE TODOS E NÃO DO PODER PÚBLICO.
Senhor Governador e Senhores deputados da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro,
Nós, habitantes do Rio de Janeiro entendemos o projeto de lei 383/2007 como anticonstitucional, uma vez que ele fere o direito à vida, à manutenção da biodiversidade e à dignidade da pessoa humana. Exigimos a sua RETIRADA IMEDITATA, sendo garantida a permanência da Lei Estadual 4063/2003 no nosso
URGENTE: DEPUTADOS ESTADUAIS VOTAM 3ª. FEIRA (DIA 29/5) PL QUE BENEFICIA A MULTINACIONAL DA POLUIÇÃO ARACRUZ CELULOSE
Convocamos todos os Movimentos Sociais e ativistas a comparecerem nesta 3ª. feira (Dia 29/5), as 16 hs, no Plenário da ALERJ quando estará em pauta o PL No. 383/2007, de autoria do Governador Sérgio Cabral (PMDB), que libera o plantio predatório de monoculturas no Estado do RJ, o que beneficiará a poluidora multinacional Aracruz Celulose com sua monocultura de eucaliptos que, como sabemos, reduz significativamente postos de trabalho no campo e ainda promove o ressecamento do solo e a mutilação de trabalhadores. Trata-se de uma grave ameaça ao meio-ambiente e a sobrevivência de pequenos agricultores, transformando, ao longo dos anos, as áreas plantadas em desertos verdes, em função das características predatórias do plantio do eucalipto em larga escala.
A geração de emprego pelo eucalipto está bem aquém daquela prometida pela Aracruz Celulose gerando um emprego para cada 183 hectares e ao custo de US$ 600.000,00 de investimento. Enquanto na Reforma Agrária, os maiores lotes do Estado do Rio de Janeiro têm cerca de 17 hectares para o sustento de uma família a um custo médio, incluindo investimentos governamentais, inferior a R$ 100.000,00. A presença predatória da Aracruz no RJ significa um freio nos projetos de reforma agrária ecológica e na produção de alimentos, já que a monocultura de eucaliptos ocupará terras destinadas a esse fim, desta forma aumentando a concentração fundiária (latifúndio), o êxodo rural e a pobreza no campo.
Apoiamos outras alternativas de Políticas Públicas sustentáveis e geradoras de empregos para o campo fluminense, como: a Agroecologia, fruticultura, seringueiras, recuperação das áreas degradadas e das matas ciliares, apoio à agricultura familiar e à reforma agrária ecológica, aumento da produção de alimentos sem agrotóxicos (venenos) etc. Exigimos o Zoneamento Ecológico-Econômico e não monoculturas, agrotóxicos e latifúndio.
CONTAMOS COM SUA PRESENÇA E SOLIDARIEDADE!
REDE ALERTA CONTRA O DESERTO VERDE FLUMINENSE
Tel. (21) 2215-2161, 9908-2773 (Sérgio Ricardo)
CARTA AOS DEPUTADOS ESTADUAIS DO RIO DE JANEIRO SOBRE O PL 383/2007
Senhor Deputado(a),
O governador Sérgio Cabral enviou no início do mês para a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, em regime de urgência, o projeto de lei (PL) nº 383/2007 alterando a Lei Estadual 4063/2003. Esta lei determina a realização de zoneamento ecológico-econômico no Estado, com a participação da sociedade civil, e condiciona à elaboração prévia deste a introdução de monoculturas em larga escala, sendo que os proponentes dos projetos de monocultura deveriam dividir com o poder público os custos de elaboração do zoneamento nas regiões onde desejassem se instalar.
Na legislação atual, para a liberação do plantio das monoculturas ao licenciamento ambiental, exige-se a o plantio de espécies nativas em 30% da área plantada ou 10% se já houvesse 20% de reserva legal na propriedade. Estabelece-se também regras para a proteção de nascentes e rios, proibindo o plantio em suas margens. A lei, de autoria do então deputado Carlos Minc, atual secretário de Meio Ambiente, visa proteger a sociedade fluminense dos impactos ambientais da monocultura, comprovados mundialmente através de inúmeros estudos científicos que apontam a destruição causada pelas grandes monoculturas sobre a biodiversidade (eliminação de espécies animais e vegetais), os solos (erosão e perda de fertilidade), os rios e demais cursos d?água (diminuição da vazão e ressecamento). A lei vigente representa um grande avanço em termos de preservação ambiental e qualidade de vida para a população.
Em sua rápida tramitação na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro a Comissão de Constituição e Justiça já apresentou emenda revogando a lei atual. E no último dia 16, foi realizada uma audiência pública por iniciativa dos deputados André do PV (Comissão de Defesa do Meio Ambiente), Paulo Ramos - PDT (Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social) e André Correa - PPS (Comissão de Economia, Indústria e Comércio) para discutir a alteração proposta na lei que contou com a presença bastante expressiva de representantes dos governos estadual e federal, da sociedade civil organizada e movimentos sociais.
Diante dos mais diversos argumentos contrários ao projeto, os deputados que convocaram a audiência comprometeram-se a pedir formalmente à presidência da ALERJ que fosse retirada a urgência do projeto para que o mesmo pudesse ser debatido na amplitude e complexidade necessária às questões ambientais, sociais e econômicas. Ficou também explicitamente acordado que será realizada pelo menos mais uma audiência pública para a discussão da proposta apresentada pelo Governo do Estado e sugerido que a lei não seja alterada até que se implemente o zoneamento previsto na lei atual, que se presente revogar. Também foi garantido pela presidência da Comissão de Defesa do Meio Ambiente que seria apresentado um Substitutivo ao PL e, na condição de Vice Líder do governo, que todos os questionamentos levantados serão encaminhados ao Governador no sentido de paralisar o pedido de urgência do projeto. Vale ressaltar que todos os órgãos federais que se pronunciaram (EMBRAPA, Delegacia Regional do
Trabalho e INCRA) pronunciaram-se, por razões diversas, contrariamente à alteração na lei em vigor.
O projeto de Lei enviado pelo governador Sérgio Cabral altera os procedimentos relativos à implementação do zoneamento ecológico-econômico, desobrigando os proponentes dos projetos de monocultura de dividir os custos da realização do mesmo com o poder público, passando todo o ônus para o Estado. Além disso, introduz uma referência exclusiva à silvicultura (cultivo de árvores), como se a monocultura de árvores fosse menos danosa que as outras monoculturas o que está longe de ser verdade.
Evidenciou-se, assim, que a verdadeira intenção do projeto é a liberação acelerada dos grandes projetos de silvicultura no estado, o que ficou evidente na intervenção do Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, senhor Julio Bueno, que discorreu sobre a importância da implantação de um pólo industrial de celulose e sobre a contribuição econômica que a empresa Aracruz Celulose, tem desempenhado nas regiões onde atua; o que foi contestado por membros das comunidades afetadas pela monocultura do eucalipto.
Desta forma, o PL, 383/2007 ao contrário do que está escrito na mensagem de envio do mesmo, não representará qualquer melhoria para a população do estado "preservando a Mata Atlântica, a agricultura familiar, garantindo o suprimento de madeira, o desenvolvimento regional, combatendo a desertificação e a degradação ambiental". No sentido oposto, o que o PL 383/2007 proporciona são facilidades para a implantação da silvicultura em larga escala sob um falso argumento de promoção do desenvolvimento, como comprovam as informações abaixo:
1. A cotação da polpa de celulose no mercado mundial alcança hoje cerca de US$ 500,00 por tonelada. Estimando-se serem necessários 4 metros cúbicos de madeira para produzir 1 (uma) tonelada de celulose, e considerando-se o preço atualmente pago ao produtor - R$ 28,00/m3, temos que a indústria desembolsa R$ 112,00 para adquirir matéria-prima suficiente para produzir R$ 1.800 (1 tonelada de celulose). Ou seja, a agricultura participa com apenas 6% do valor alcançado pelo produto processado, sendo este preço 16 vezes maior que o valor do produto primário.
2. O fomento florestal, através do qual são firmados contratos de fornecimento entre o produtor e uma determinada empresa representa uma forma de monopolização, pois o agricultor tem apenas uma opção de comprador. Além disso, nos contratos de fomento florestal a empresa fornece as mudas, o adubo, o formicida e a assistência técnica para desenvolver as plantações, representando uma forma de "assalariamento disfarçado ", com a desvantagem do produtor rural assumir inteiramente os riscos da produção agrícola e não receber nenhum benefício social.
3. O eucalipto enquanto opção econômica é uma péssima alternativa, como evidencia o quadro abaixo:
Cultura Rentabilidade líquida (reais por hectare/ano) Superioridade em relação à cultura do eucalipto ( em número de vezes)
Eucalipto 200,00 -
Cultura da goiaba 30.000,00 150
Consórcio côco-anão/café 13.000,00 65
Cultura da manga 8.000,00 40
Cultura da graviola 8.000,00 40
Cultura da beterraba 13.424,00 67
Cultura da cenoura 13.628,00 68
Cultura do inhame 3.225,00 16
Cultura do pimentão irrigado 8.000,00 40
Fonte: Aracruz (eucalipto), Fundação Luterana de Sementes, FASE, Incaper.
OBS: as informações referem-se à médias estimadas, cabendo as variações de acordo com a região, sistema de produção utilizado, condições de mercado, entre muitos outros fatores. Dados do ano de 2002.
4. Enquanto que 1 hectare na fruticultura pode gerar 10 empregos, a monocultura de eucalipto gera um emprego para cada 183 hectares e ao custo de R$ 1.200.000,00 de investimento. Enquanto isso, nos assentamentos de Reforma Agrária , os lotes do Estado do Rio de Janeiro têm cerca de 10 hectares para o sustento de uma família a um custo médio inferior a R$ 60.000,00.
Podemos imaginar um triste cenário de êxodo rural com a ocupação maciça desta monocultura em uma determinada região.
5. Nenhuma outra cultura cresce tanto em tão pouco tempo, para isso é necessário o consumo de grandes quantidades de água e nutrientes, tais como o potássio e magnésio do solo. Em áreas já degradadas, plantios homogêneos podem levar à completa exaustão do solo. O monocultivo pode afetar também mananciais de água, além de rebaixamento de lençol freático. Estudo publicado em 1997 na revista Science, uma das mais conceituadas do mundo, afirma que a monocultura de eucalipto reduz o fluxo fluvial em 52% e 13% dos rios secam completamente em um ano. Mesmo após a erradicação do monocultivo o retorno pleno da descarga fluvial dura mais de 5 anos.
6. Os plantios industriais, quando se instalam, dependem da aplicação de grandes quantidades de herbicidas, provocando graves impactos no meio hídrico, na fauna e nos trabalhadores que os aplicam.
7. Qualquer atividade agrícola tem um nível de perturbação no ecossistema. Sabemos que as monoculturas causam consideráveis impactos ambientais. No caso da monocultura de eucalipto, há uma forte limitação à presença da fauna, uma vez que não existem frutos. Também é difícil o consórcio com outras culturas ou outras espécies vegetais graças aos efeitos tóxicos de substâncias emitidas pela árvore (alelopatia).
Por todas estas razões, alertamos a sociedade que a aprovação do PL 383/2007 representará sérios riscos de formação de um verdadeiro deserto verde no estado do Rio de Janeiro, em detrimento da Reforma Agrária, da produção de alimentos em sistemas familiares diversificados e ecológicos, da recuperação dos ecossistemas ameaçados, das águas, das economias regionais e da vida.
Certos de contar com o apoio de Vossa Excelência para derrubar este projeto, enviamos nossos votos de estima e apreço.
REDE ALERTA CONTRA O DESERTO VERDE FLUMINENSE
Associação Brasileira de Reforma Agrária - ABRA
Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) - Seção Rio e Niterói
Central Única dos Trabalhadores (CUT-RJ)
Comissão Pastoral da Terra - CPT
Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAG)
Fórum de Meio Ambiente e Qualidade de Vida da Zona Oeste e da Baía de Sepetiba
Fórum Estadual de Reforma Agrária do Rio de Janeiro
Fundação Brasileira para Conservação da Natureza (FBCN)
Instituto de Cultura Ambiental (ICA)
Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST)
Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL)
CPT - Comissão Pastoral da Terra
VERDEJAR - Proteção Ambiental e Humanismo
Sindicato dos Bancários
Sindicato dos Petroleiros do Rio (Sindipetro-RJ)
Sindicato dos Petroleiros do Sindipetro-NF (Norte Fluminense)
Movimento TAMOIO DOS POVOS ORIGINÁRIOS
ASCPDERJ (Associação dos Servidores do Centro de Processamento de Dados do Estado do Rio de Janeiro)
DAMGEMT- Defensores Ambientais do Gericinó-Mendanha-Tinguá
APELT - Associação dos Pescadores Livres de Tubiacanga (Ilha do Governador-RJ)
Rede de Lideranças da Pesca Artesanal da Baía de Guanabara
Terræ Organização da Sociedade Civil
ITEREI - REFÚGIO PARTICULAR DE ANIMAIS NATIVOS - PORTARIA IBDF 163/78 (DOU 20/04/1978), MEMBRO OFICIAL DA SOCIEDADE PLANETÁRIA (UNESCO PROJETO BRA022/1998)
CENTRO DE REFERÊNCIA DO MOVIMENTO DA CIDADANIA PELAS ÁGUAS FLORESTAS E MONTANHAS IGUASSU ITEREI
CIRCULOS BOLIVARIANOS LEONEL BRIZOLA
FAMERJ - FEDERAÇÃO ESTADUAL DAS ASSOCIAÇÕES DE MORADORES DO ESTADO DO RJ
FASE NACIONAL
Rede Brasileira de Justiça Ambiental
REDE BRASILEIRA ECOSSOCIALISTA
INTERSINDICAL
SINTRASEF
COMITÊ POPULAR DE MULHERES-MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES
RENAAP-REDE NACIONAL DE ARTICULAÇÃO DOS ADVOGADOS POPULARES
MOVIMENTO CONSULTA POPULAR
COOPERATIVA CEDRO
COOPERATIVA ESTRUTURAR
FEAB - FEDERAÇÃO DOS ESTUDANTES DE AGRONOMIA DO BRASIL
ASSUME - Associação dos Usuários do Metrô
SAPLAM - MARICÁ/RJ
UJS - União da Juventude Socialista
CUCA (Centro Universitário de Cultura e Arte) da União Nacional dos Estudantes (UNE)
UEE-RJ (União Estadual dos Estudantes-RJ)
Grupo Pesquisador em Educação Ambiental - GPEA/UFMT
Instituto de Estudos Socioeconômicos - INESC
SINDICATO DOS ECONOMISTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
CENTRO NORTE-FLUMINENSE DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA (CAMPOS-RJ)
SINPAF - Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário - Seção Sindical Solos
MORE - Movimento de Resistência Ecológica (Niterói-RJ)
Partido Verde de Bom Jardim (RJ)
Jornal "O RODO" (Bom Jardim-RJ)
AFERJ - ASSOCIAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DA EMATER-RIO
FÓRUM PERMANENTE DE DIREITOS HUMANOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - FOPEDH
HUMANITAS DIREITOS HUMANOS
SINDSPREV
AS-PTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa)
ONG GDASI - GRUPO DE DEFESA AMBIENTAL E SOCIAL DE ITACURUÇA/MANGARATIBA-RJ.
Conselho Comunitário da Orla da Baia de Niterói (CCOB)
SINFA-RJ
JUSTIÇA GLOBAL - DIREITOS HUMANOS
IBRACI (INSTITUTO BRASILEIRO DE
CIDADANIA)
Organização de Direitos Humanos - PROJETO LEGAL
Sociedade Educacional "Fala Bicho"
Movimento Pró-Escola Técnica Federal na Zona Oeste (Realengo-RJ)
ANDES-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior)
FAFERJ - FEDERAÇÃO ESTADUAL DAS ASSOCIAÇÕES DE FAVELAS DO ESTADO DO RJ
CDDH-Centro de Defesa de Direitos Humanos de Petrópolis
Pré-Universitário Popular de Acari
Rede Ecológica
FAM RIO - FEDERAÇÃO MUNICIPAL DAS ASSOCIAÇÕES DE MORADORES DO RJ
COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL (OAB-RJ)
MNLM-RJ (MOVIMENTO NACIONAL DE LUTA POR MORADIA-RJ)
AULA - ASSOCIAÇÃO UNIVERSITÁRIA LATINO-AMERICANA
ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DA CIDADE DOS MENINOS (DUQUE DE CAXIAS-RJ)
CENTRO DE ARTES E CULTURA DA MARÉ
ASFUNRIO
APEFAETEC - ASSOCIAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO DA FAETEC
ANEPS (Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde)
MOVIMENTO BAÍA VIVA
CANMS-Clube de Astronomia de Niterói Mário Schenberg
Clube de Astronomia de Magé
MCPA-Movimento da Cidadania pelas Águas de Magé
Assembléia Popular-RJ
Bicuda Ecológica
OSCIP NESA (Núcleo de Educação Sócio-Ambiental-Ribeirão Preto/SP)
CONDOR - Instituto de Produtos Naturais e Serviços Culturais ligado á Terra (Nova Friburgo)
FORUM da Agenda 21 Local - Nova Friburgo
Núcleo Serrano da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro, com sede em Nova Friburgo
Rádio Comunidade Friburgo - Nova Friburgo
Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Nova Friburgo
Annelise Caetano Fraga Fernandez - doutoranda em sociologia IFCS/UFRJ
Atue já pelos Procedimentos Especiais: Petição Global
A Justiça Global uniu-se ao International Service for Human Rights (ISHR); The African Centre for Democracy and Human Rigths Studies; Anistia Internacional; a Associação para a Prevenção da Tortura, o Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos (COHRE); Fórum Ásia; Franciscanos Internacionais, Human Rights Watch, a Comissão Internacional de Juristas; a Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH), e a Organização Mundial Contra a Tortura (OMCT) para lançar uma campanha global de apoio ao sistema de peritos independentes do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), conhecido como Procedimentos Especiais.
Este sistema é formado pelos relatores especiais, experts independentes e grupos de trabalho criados para monitorar a situação dos direitos humanos em países ou territórios específicos ou a situação dos direitos humanos ou grupos específicos em todas as partes do mundo.
A campanha foi iniciada em 6 de março de 2007 por meio da página eletrônica www.actforspecialprocedures.orge encontra-se em quatro línguas (árabe, inglês, francês e espanhol).
A ONU iniciou as negociações para revisar os Procedimentos Especiais por meio de um grupo de trabalho intergovernamental. Infelizmente, vários governos estão aproveitando esta oportunidade para fazer propostas que enfraqueceriam a capacidade dos Relatores Especiais em cumprir efetivamente seu mandato de monitoramento das violações de direitos humanos.
Nossas organizações acreditam na importância da realização de uma campanha de âmbito mundial e de grande visibilidade, para que se reforce a necessidade de manutenção dos Procedimentos Especiais. Esta campanha se dará por meio da coleta eletrônica de assinaturas de indivíduos de todas as partes do mundo.
Acreditamos ser de grande importância a contribuição de pessoas que trabalhem em ONGs, Movimentos Sociais, Defensores de Direitos Humanos, instituições nacionais de direitos humanos, parlamentares, vítimas e suas famílias e representantes. Esta campanha oferece uma importante oportunidade para reforçar a contribuição dos Procedimentos Especiais na proteção da vida de indivíduos e suas famílias que sofreram ameaças ou violações de direitos humanos. Por isso, gostaríamos de saber se você conhece pessoas que poderiam compartilhar sua história de utilização do mecanismo de Procedimentos Especiais.
Gostaríamos de sua contribuição para assinar a petição e encaminhá-la a outras pessoas e organizações que estariam interessadas em apoiar esta iniciativa.
2. Circulação da página eletrônica da campanha com solicitação de assinatura para seus contatos;
3. Identificação de pessoas vítimas de violações de direitos humanos cuja situação foi relatada aos Procedimentos Especiais. Solicitar que estas pessoas assinem a petição e compartilhem seu testemunho pessoal sobre a contribuição dos Procedimentos Especiais para sua situação particular;
4. Identificação de renomados defensores de direitos humanos para aderirem à campanha;
5. Relato por ONGs, Movimentos Sociais, defensores de direitos humanos sobre o impacto das missões realizadas por representantes dos Procedimentos Especiais a seu país;
Sugerimos ainda que os seguintes grupos e atores sejam convidados a participar da campanha e assinar a petição:
Parlamentares, com atuação em direitos humanos, ou que sejam membros das comissões parlamentares de direitos humanos. Os parlamentares também são defensores de direitos humanos e situações de violação de seus direitos também são analisados pelos Procedimentos Especiais.
Instituções Nacionais de Direitos Humanos, que podem utilizar as recomendações dos Procedimentos Especiais para seu trabalho ou procurem manter relação mais próximas com os Procedimentos Especiais. Um diretório contendo todas as instituições nacionais de direitos humanos, com os endereços e e-mails está disponível na página eletrônica http://www.nhri.net.
Universidades, faculdades e outras Instituições acadêmicas, que trabalhem com a temática de direitos humanos.
Advogados, magistrados e membros do Ministério Público por terem atuação relevante tanto em interpretar e desenvolver a lei, como por serem alvo de relatoria específica de independência de juizes e advogados no âmbito dos Procedimentos Especiais.
ONGs nacionais, quem utilizam o sistema de Procedimentos Especiais ou que tenham interesse mais amplo na atuação do Conselho de Direitos Humanos.
www.global.org.br Sandra Carvalho
Diretora Executiva, Justiça Global
Av. Beira Mar, 406 sala 1207
20021-900 - Rio de Janeiro - RJ
Tel: + 55 21 2544 2320
Fax: + 55 21 2524 2485
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Se nós queremos salvar o planeta,
precisamos de um congelamento de cinco anos dos bio-combustíveis
O óleo produzido das plantas estabelece uma competição por alimento entre carros e essoas. Os povos e o meio ambiente vão perder
Ser descuidado dependia de boas intenções. Agora é pura fraude. Os governos que estão optando por bio-combustíveis para resolver o problema do aquecimento global sabem que há mais danos que benefícios. Mas eles continuam preparando o campo. Em tese, combustíveis feitos de plantas podem reduzir a quantidade de dióxido de carbono emitida por automóveis e caminhões. Plantas absorvem carbono enquanto estão crescendo - e são novamente liberadas quando o combustível é queimado. Ao estimular as empresas de combustíveis a trocar plantas fósseis por plantas vivas, os governos dos dois lados do atlântico afirmam estar "descarbonizando" nossas redes de transporte.
Gordon Brown anunciou no orçamento na semana passada, que ele iria estender as deduções de impostos para os bio- combustíveis até 2010. A partir do próximo ano todos os fornecedores nos Reino Unido terão de garantir que 2,5% do combustível a venda são feitos de plantas – senão, terão que pagar multas de 15 centavos de libra por litro. Isso cresce para 5% em 2010. Em 2050, o governo espera que 33% do nosso combustível venha de plantas. O mês passado George Bush anunciou que irá quintuplicar a meta dos Estados Unidos para os bio-combustíveis: em 2017 eles devem estar suprindo 24% dos combustíveis de transporte da nação.
Então qual é o problema com esses programas? Simplesmente eles são uma fórmula para um desastre ambiental e humanitário. Em 2004 eu adverti, nessas páginas, que os bio-combustíveis iriam estabelecer uma competição por alimento entre os carros e os povos. Os povos iriam necessariamente perder: aqueles que tem condições de ter um carro são mais ricos do que os que estão sendo ameaçados pela fome. Isso também iria levar a destruição das florestas tropicais e outros habitats importantes. Eu nunca fui tão insultado – exceto quando ataquei os conspiradores do 11 de setembro. Me disseram que o que eu estava dizendo era besteira, uma piada, impossível. Bem em um sentido eu estava errado. Eu pensei que esse efeitos não iriam se materializar por muitos anos. . Mas eles já estão acontecendo.
Desde o início do ano passado, o preço do milho dobrou. O preço do trigo foi o maior dos últimos dez anos, enquanto os estoques mundiais de ambos os grãos chegaram ao seu nível mais baixo em 25 anos. Já ocorreram ataques por alimentos no México e os pobres estão sofrendo pressão em todo o mundo. O departamento de agricultura dos Estados Unidos adverte que "se tivermos uma seca ou uma colheita muito ruim, poderíamos ter uma volatilidade semelhantes ao que presenciamos em 1970, e se não ocorrer esse ano, estamos prevendo estaques ainda mais baixos para o próximos ano". Segundo a organização das Nações Unidas de alimento e agricultura, a principal razão é a demanda por etanol: o álcool usado como combustível para motores feito de milho e trigo.
Os agricultores irão responder aos preços mais altos plantando mais, mas não é claro que eles podem ultrapassar a crescente demanda por bio-combustíveis. Isso só poderá ser obtido plantando-se em habitats virgens.
Nós já sabemos que os bio-combustíveis são piores para o planeta do que o petróleo. As Nações Unidas publicou um relatório sugerindo que 98% da floresta natural na Indonésia estará degradada ou se perderá em 2022. Apenas a cinco anos atrás, as mesma agências previram que isso não ocorreria até 2032. Mas isso foi antes de se considerar as plantações de palma africana para ser convertida em biodiesel para o mercado Europeu. Essa é agora a causa principal de desmatamento lá e em breve terá sido responsável pela extinção dos orangotangos selvagens.
para o mercado Europeu.
Mas ainda tem ais. Enquanto as florestas se queima, as árvores e o buraco onde se encontram são convertidas em dióxido de carbono. Um relatório da consultoria Holandesa Delft Hydraulics mostra que cada tonelada de óleo de palma resulta em 33 toneladas de emissões de dióxido de carbono, ou 10 vezes mais do que os produtos de petróleo. Eu tenho que dizer isso de novo. O biodiesel produzido do óleo de palma causa 10 vezes mais mudanças climáticas que o diesel comum.
Há impactos semelhantes em todo o mundo. Os produtores de cana de açúcar estão se movendo para habitats raros como o cerrado em Brasil., e os fazendeiros de soja estão arrancando toda a floresta amazônica. Como o presidente Bush assinou um acordo com o presidente Lula, é muito provável que as coisas vão ficar muito pior. Os povos indígenas da América do Sul, Ásia e África estão começando a reclamar das incursões em suas terras por plantadores de combustível. Há uma petição lançada pelo grupo biofuelwatch, implorando para que governos do norte parem, e já obteve assinaturas de membros de 250 grupos.
O governo Britânico está ciente de que há um problema. Nesse blog o ano passado o secretário do Meio Ambiente David Miliband observou que as plantações de óleo de palma "estão destruindo 0,7% da floresta tropical da Malásia a cada ano, reduzindo um recurso natural vital ( e em processo de destruir o habitat natural do orangotango). Tudo esta ligado." Ao contrário das políticas de governo.
A razão por que os governos estão tão entusiasmados com os bio combustíveis é por que não querem aborrecer os motoristas. Parece que eles estão reduzindo a quantidade de carbono dos nossos carros, sem ter que aumentar os impostos. É tudo uma ilusão sustentada pelo fato de que somente as emissões produzidas em casa contam para o total nacional. A destruição das floresta na Malásia não aumenta nosso impacto oficial em uma grama.
Em fevereiro a comissão Européia teve que tomar uma decisão direta entre a eficiência dos combustíveis e os bio- combustíveis. O objetivo era dizer as produtoras de carros de que as emissões médias de carbono por novos carros em 2012 deveria ser de 120 gramas por quilometro. Após um lobby pesado por Angela Merkel em nome das suas fabricantes de automóveis, eles cederam e subiram o limite para 130 gramas. E anunciaram que iriam compensar a diferença aumentando a contribuição dos bio-combustíveis.
O governo Britânico diz que "irá exigir que os distribuidores de combustível para o transporte façam relatórios sobre a economia de carbono e sustentabilidade dos bio -ombustíveis que irão oferecer". Mas não exigirá que façam nada. Por que não pode: os seus consultores já demonstraram que se tentarem impor padrões ambientais amplos para os bio-combustíveis, irão ser pegos pelas regras de comércio internacional. E mesmo "sustentáveis" os bio-combustíveis meramente irão ocupar o espaço que outras plantações ocupam hoje, deslocando essas plantações para novos habitats. Se promete que um dia haverá uma segunda geração" de bio-combustíveis, feitas de feno ou grama ou madeira. Mas ainda existem enormes obstáculos para isso. Quando os novos combustíveis estiverem prontos, o dano já terá sido feito.
Precisamos de uma moratória de todas as metas e incentivos para os bio-combustíveis, até que a segunda geração de combustíveis possa ser produzida por menos do que custa se produzir óleo de palma ou cana de açúcar. Mesmo assim, as metas devem ser baixas e serem elevadas com muito cuidado. Eu sugiro um congelamento de 5 anos.
Isso iria exigir uma campanha enorme, e muito mais ampla do que a campanha que ajudou a se obter cinco anos de congelamento aos trangênicos no Reino Unido. Mas muito dos seus efeitos são indiretos, enquanto que a devastação causada pelos bio-combustíveis é imediata e já é visível.
Por isso será mais difícil detê-la: estimulados por políticas de governo, grandes investimento estão sendo feitos por fazendeiros e indústrias químicas. Detê-los irá exigir uma tremenda batalha. Mas temos que lutar.
Balanço conjuntural da situação do Brasil Grupo Projeto Brasil 16 de março de 2007.
Todos podem contribuir!
Situação geral do país
- A economia brasileira continua sendo hegemonizada pelo capital financeiro e internacional (seja pelas transnacionais, seja pela aliança entre elas e grupos brasileiros).
- O governo tem reafirmado e defende que a política econômica é imutável.
- Não há nada em curso que possa representar sinais de mudanças no modelo econômico neoliberal e na política economia conservadora, que ao manter as quotas do superávit primário, garante a transferência de mais de 140 bilhões de reais dos cofres públicos para o sistema financeiro.
- O PAC é apenas uma junção de todos os valores que já estavam previstos para serem investidos, por parte das empresas estatais, do setor privado e do governo. Não há nenhuma redefinição de política.
- Segundo avaliação apresentada de estudos do grupo de economistas do Rio, o PAC não representa sequer possibilidade de acelerar o crescimento, pois a taxa media de investimento sobre o PIB continuara sendo de 17%. Por essa razão os próprios jornais econômicos da classe dominante sinalizam de que a economia não vai crescer alem de 3% ao ano, em 2007. Para a economia brasileira crescer em 5% ou mais, deveria investir mais de 25% do PIB.
- O Governo Lula caiu numa armadilha preparada por ele mesmo, por ma vontade ou ignorância, pois esta fazendo toda sua propaganda de mudança de política econômica em torno do PAC, mas ele não vai alterar a essência da política econômica conservadora.
- A natureza dos investimentos anunciados nessa junção do PAC revelam por outro lado que a prioridade é montar uma infra-estrutura para melhorar a malha de exportação e de subsidiar energia para as grandes empresas transnacionais. Vários movimentos sociais e ambientalistas têm denunciado que as obras na região da Amazônia Legal terão forte impacto negativo nas condições dos recursos naturais, com prejuízos ineparáveis.
- O que foi positivo no anuncio do PAC é que ele recolocou no debate a necessidade do estado brasileiro ser o condutor dos investimentos da economia.
- Os indicadores sócio-econômicos das condições de vida da população, como emprego, distribuição de renda, acesso a moradia, educação, nenhum deles houve melhoras significativas. E tampouco há sinais de mudanças, já que alterar significativamente esses indicadores dependeria de um novo projeto de desenvolvimento para o país.
- Mesmo uma política econômica que pudesse fazer voltar a crescer o PIB, não é por si só defensável. Pois do ponto de vista da classe trabalhadora temos que defender uma política que faça a economia crescer com distribuição de renda. E nas atuais condições distribuir renda é aumentar o salário mínimo, os salários médios, fazer reforma agrária, fazer investimentos que gerem milhões de empregos e ampliem o acesso a educação da juventude.
- O projeto da transposição do Rio São Francisco é um ato absurdo, que visa apenas garantir compromissos eleitorais de realização de obras. Ele não representa definitivamente uma obra para levar água na região do semi-árido nordestino. Estima-se que ao redor de apenas um por cento da população do semi-árido será beneficiada. A população que será mais beneficiada esta na cidade de campina grande, mas para resolver isso, se poderia fazer uma obra mais barata. E a surpresa dos movimentos sociais foi a forma nada democrática com que o governo passou a implementar.
- Um possível acordo com o governo Bush e os capitalistas Estadunidenses para ampliar a produção de etanol no Brasil, a partir da cana e exportá-lo aos Estados Unidos, representaria apenas uma espécie de aluguel dos principais recursos do povo brasileiro: terra, água e sol, para atender as necessidades da burguesia americana. E certamente trará enormes prejuízos ambientais e sociais ao povo brasileiro. Ao ponto, de que até o governador Serra se manifestou contrario, dizendo que não deseja que São Paulo se transforme num imenso canavial, pois esse tipo de economia agrária-exportadora, não gera emprego, só traz concentração de riqueza e prejuízos ambientais.
- As pequenas e médias indústrias nacionais também estariam sendo prejudicadas pela manutenção dessa política econômica. E aqui, acolá já começam aparecer sinais de insatisfação, seja nos estados, seja através do IEDI (Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial) que representa esses setores.
A situação da classe dominnate no Brasil
- Apesar do povo brasileiro (60,2%) ter votado nas ultimas eleições por mudanças econômicas e sociais, pois a candidatura Alckmin era a representante do projeto neoliberal burguês, a classe dominante brasileira se readaptou de forma pragmática com o governo Lula.
- As burguesias financeiras e dos grupos ligados ao capital internacional (transnacionais) continuam hegemonizando e tomando todas as iniciativas no campo da economia, do controle do estado, do judiciário e da política.
- A burguesia usa seus meios de comunicação apenas como uma forma de ir blefando e mantendo o governo refém de seus interesses.
- O Objetivo principal das classes dominantes brasileiras é manter suas taxas de lucro, cada vez mais altas, e controlar o povo, para que não se revolte.
- As classes dominantes mantêm hegemonia completa no parlamento, e também no governo.
- Embora a direita se apresente dividida, partidariamente ou na forma como usa os meios de comunicação, ela se mantém unida nos seus interesses de classe e ideológicos.
- A elite brasileira tem se revelado predadora. É irresponsável no uso dos recursos naturais e a ela pouco importa o futuro, mais alem da manutenção de seu patrimônio e das taxas de lucro.
- Os encontros de grupos empresariais com o governo Bush durante sua última visita, revelam que são os seus verdadeiros aliados. Eles estão apostando tudo agora na abertura do mercado europeu e americano, para realização dos seus lucros.
O Governo Lula
- No segundo turno houve uma disputa política e ideológica, entre as classes dominantes que alimentavam a possibilidade de um sistema puro com Alckmin e setores organizados da sociedade que diante do susto (42 x 44% no primeiro turno) colocaram suas forças na rua e conseguiram alterar o quadro eleitoral.
- Porém, a vitória eleitoral dos setores organizados do povo não foram suficientes para gerar um novo governo.
- O Governo Lula continua comprometido com os setores da classe dominante que se dividiram e o apoiaram e com os novos que aderiram oportunisticamente. E o discurso adotado pelo presidente no segundo turno, foi rapidamente abandonado.
- A alianças partidárias que o governo está priorizando são equivocadas e não representam à aliança social e política que o elegeu. Assistir a Michel Temer, que apoiou claramente a Alckmin coordenar a indicação de ministros é um escárnio aos eleitores conscientes do Lula.
- A política institucional, essa que os meios de comunicação repercutem todos os dias, se transformou numa caixa de maldades, de espertezas, baseada apenas em vaidades e interesses pessoais. A política oficial está baseada apenas no uso de muito dinheiro, na manipulação do povo pelos meios de comunicação. O povo brasileiro está fora da política. Não conta mais nessa democracia fajuta.
- O governo Lula não se mostra nem um pouco preocupado em estimular a participação popular na política ou no seu governo. O Povo foi transformado em mero expectador do jornal das oito. Assistir a política pela televisão.
- Pior, Lula insiste numa versão de que seria predestinado por Deus, e no fundo revela que quer substituir a ação política do povo, por sua vontade pessoal.
- Nenhuma mudança social partirá de iniciativa desse governo.
- Em resumo, poderia se dizer de que o governo nesse segundo mandato é um governo centrista, pragmático, que age apenas em seus próprios interesses de governabilidade e redução de atritos com a classe dominante.
- Na atual democracia representativa, de fato não há democracia. Precisamos recuperar o poder para o povo participar efetivamente na política e nas decisões da sociedade e do país.
- A reforma política que o governo diz apoiar (cláusula de barreira, votação em lista, e financiamento público) é apenas perfumaria, não muda nada estrutura de poder.
- No entanto, a ampla base do povo brasileiro é despolitizada, luta todos os dias pela sobrevivência e foi anestesiada pelo governo Lula, tal a ruindade dos governos anteriores. E por isso levará algum tempo para um processo de conscientização.
Situação das forças populares
- O povo está lutando pela sobrevivência, preocupado com suas duras condições de vida, não há lutas sociais, e está ainda apático para a política institucional, que sabe ser, tudo igual que nada afeta sua vida real.
- Há uma dispersão completa das forças populares, que as deixam ainda mais fragilizadas diante da avalanche da hegemonia da classe dominante.
- Não há em curso nenhum projeto que unifique as forças populares.
- As forças populares vivendo um período histórico adverso na economia, na política, na luta de classes, ainda não conseguiram desenvolver métodos de trabalho de base e de massa para fazer um grande movimento de conscientização do povo brasileiro.
- Os fatos estarrecedores da violência social nas grandes cidades são apenas espelhos, reflexo da grave crise social e política que nosso povo vive, em que não acredita mais no estado, e em que os mais pobres apelam para a marginalidade como forma de sobrevivência. Nunca tivemos uma população carcerária tão grande. Nunca tivemos tanta policia e aparatos de repressão. Nunca tivemos tantos presídios. Eles não são solução para anda, eles são o reflexo da crise.
- As forças populares não conseguiram desenvolver meios de comunicação de massa que consigam fazer a luta política e ideológica. Todos eles (com raras e elogiáveis exceções) são controlados pela classe dominante.
- As forças de esquerda também estão fragmentadas, muitas priorizam ainda os espaços eleitorais e institucionais.
- No povo não está ainda superada uma ilusão de que pode haver mudanças. Embora nas forças populares, é praticamente consenso à desilusão em relação ao quadro adverso da correlação de forças e em especial em relação ao governo.
- Muitas ONG`s apostaram no governo Lula e agora caiu a ficha e estão se afastando se sendo mais criticas. E a direita não perde tempo e virá para o ataque contra elas, através da primeira CPI criada no congresso para investigá-las.
- Comentou-se de que o primeiro mandato do Governo Lula serviu pelo menos para trazer mais experiência para os movimentos sociais, pois muitos estavam iludidos com as possibilidades de mudanças vindas apenas do governo. Agora, estão mais experientes, mais maduros e terão um comportamento mais voltado para a luta social do que esperar pelo governo.
- Há uma compreensão de que, por outro lado a conjuntura internacional e a correlação de forças a nível internacional estão mudando a favor das forças progressistas. Citou-se a derrota do governo Bush em suas guerras no oriente médio (Iraque, Líbano, Afeganistão..) a instabilidade da economia americana, a denuncia dos cientistas contra a insustentabilidade do atual modelo de produção capitalista, consumista, individualista, que coloca em risco a sobrevivência da humanidade, a eleição de diversos governos progressistas e anti-imperialistas na América latina, sinais de reacendo do movimento de massas em alguns países e a projeção política de Hugo Chavez como líder latino-americano e anti-imperialista. Tudo isso pode representar ventos novos que soprarão de fora e ajudarão a mudar a correlação de forças internas.
Desafios postos pela conjuntura atual
Linhas políticas gerais de atuação conjunta:
Manter a autonomia das forças populares em relação ao governo Lula. E aos governos estaduais.
Estimular todo tipo de luta social, para tentar sair desse período de resistência popular para ampliação das mobilizações de massa. E de fato ter força organizada que consiga fazer pressão por mudanças.
Dedicar todas as energias possíveis na formação política de nossos militantes e base
Retomar o trabalho organizativo de base.
Utilizar a inteligência política, para entender a atuar correlação de forças adversa e atuar naquilo que de fato pode produzir mudanças.
Lutar e atuar para que as forças populares tenham seus meios de comunicação de massa.
Precisamos debater o caráter do estado, explicar de forma pedagógica para as massas, e encaminhar lutas que mudem a estrutura de poder do estado.
Contribuir para construção de instrumentos unitários
Há em curso diversas iniciativas complementares que devemos valorizá-las, potencializá-las, amplificá-las geograficamente, levar aos estados, regiões e municípios, como:
Via Campesina Brasil
Coordenação de Movimentos Sociais - CMS
Assembléia Popular
Bloco Parlamentar de Esquerda (no parlamento nacional)
Frente Parlamentar e Social, pela reforma política (verdadeira, a partir dos interesses do povo.).
Os espaços do Fórum Social Mundial (com suas iniciativas aqui no Brasil)
Falta-nos, no entanto, ainda uma espécie de estado maior das forças populares, que fosse uma espécie de Frente Única de Esquerda, para o qual devemos colocar energias, e ir debatendo com todas as forças populares interessadas. Essa frente de esquerda não poderá ser de cunho eleitoral ou institucional, pois não será ai que vamos construir unidade e acumular forças.
Construir bandeiras comuns (um programa mínimo comum)
Nos diversos espaços unitários há esforços em cursos para tentar construir uma agenda de interesses comuns do povo Brasileiro. Essa agenda ainda esta em construção, pois como a burguesia tem hegemonia política, muitas vezes as forças populares tem sido pautadas pela ofensiva deles, para poder defender os direitos. e resistir.
Reforma política (conforme propostas da assembléia popular, Abong, OAB e CNBB).
Campanha pela reestatização da Vale do Rio Doce, e pela adoção do instrumento do Plebiscito Popular.
Mudanças na atual política econômica.
Nenhum direito a menos. Defesa dos direitos conquistas, ante as ameaças das reformas propostas pela classe dominante, na previdência, trabalhista e sindical.
Lutar contra a atual situação de desigualdade social, e por uma ampla política d e distribuição de renda, que inclui valorização do salário, reforma agrária, etc.
Luta pela reforma agrária, soberania alimentar e defesa do meio ambiente.
Luta pela universalização do acesso a educação pública.
Luta por um novo modelo energético.
Enfim deveríamos ir construindo um programa mínimo, que se transformasse num verdadeiro movimento de massas, como foi a grande campanha pelas reformas de base na década de 60. E ao mesmo, conseguisse aglutinar todas as forças populares, de movimentos, sociais, sindicais, parlamentares, governadores progressistas, personalidades, artistas, etc.
Agenda comum
Há em curso também, uma agenda comum, que esta mais ou menos unificando as muitas forças populares, a saber:
Mês de maio: realizar uma jornada nacional contra a política econômica neoliberal e em defesa dos direitos.
Mês de setembro: campanha pela reestatização da Vale e utilização do plebiscito, como pedagogia de massas.
Mês de outubro: jornada internacional em defesa da soberania alimentar e contra o controle das transnacionais sobre os recursos naturais, alimentos, água, etc.
Para ir construindo essa unidade entre as forças populares foram lembradas diversas reuniões de articulação política que devemos valorizar e ajudar a construir, como as reuniões da Frente Parlamentar e Social pela reforma política (lançamento será dia 27 de março, na Câmara dos Deputados) as plenárias da Assembléia Popular, (próxima será dias 21 e 22 de março) e outras atividades das diversas campanhas.