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‘Um conto chinês’ no Brasil - O Globo



02/05/2015

Enquanto enfrenta a burocracia para voltar para casa, jovem que foi escravo em pastelaria do Rio vive com voluntária de uma ONG

O GLOBO - Sociedade 29/04/15

FLÁVIA OLIVEIRA 

O improvável roteiro de um filme argentino de 2011 virou enredo da vida real no Brasil de 2015. “Um conto chinês”, terceiro longa do cineasta Sebastián Boresztein, mostra, com humor e melancolia, a convivência de Roberto, um emburrado comerciante encarnado por Ricardo Darín, e Jun (Ignacio Huang), jovem chinês que migra para a Argentina atrás de um tio, depois que uma vaca despenca do céu e mata sua noiva. A sinopse de realismo fantástico guarda uma história de solidão, abandono, humanidade e afeto que, faz um mês, se desenrola em plena Zona Sul do Rio. Uma voluntária do Movimento Humanos Direitos (MHuD) abriga em casa um adolescente chinês que, por dois anos, esteve confinado numa pastelaria de Mangaratiba, em condições de trabalho análogas à escravidão.

A saga do menino Liu começou em 2013, quando chegou ao Brasil, aos 15 anos, vindo de um lugarejo da província de Guangdong. Acreditou na promessa de trabalho duro, que garantiria uma boa quantia para, na volta, ajudar a família. O que encontrou na Região Metropolitana do Rio foi uma jornada de 17 horas, sem salário, folga ou liberdade. Em outubro passado, o adolescente conseguiu fugir. Encontrado por policiais, foi levado ao conselho tutelar. Liu fala cantonês e não domina o mandarim, língua número um da China. Precisou de um aplicativo de tradução do celular para contar a história de exploração de que fora vítima. Não relatou violência física.

A partir daí, entraram em ação, além do MHuD, o Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo (GPTEC), o Ministério Público do Trabalho e auditores fiscais do Ministério do Trabalho. Foi o primeiro caso de trabalho escravo de um menor chinês no estado. O dono da pastelaria foi obrigado a depositar salários e encargos pelos dois anos de jornada exaustiva e não remunerada.

Nesse ponto, a burocracia brasileira transformou a vida de Liu em cinema argentino. Havia dificuldades para transferir a indenização, de aproximadamente R$ 70 mil, para a China. O menor tampouco poderia embarcar num avião com a quantia convertida em dólares. Para receber o seguro-desemprego, ele precisaria estar no Brasil. E o saldo do FGTS não foi liberado.

Até fazer 18 anos, Liu ficou num abrigo para menores em Itaguaí. Ali aprendeu as primeiras palavras em português: banheiro, sede, água, comida. “Mas ele estranhava o ambiente e chorava de saudade da família”, contou o representante do GPTEC. O adolescente nunca vivera na rua; na China, morava com pais, avós e um irmão. Daí a preocupação da equipe de resgate em abrigá-lo em ambiente mais acolhedor.

O Natal e o carnaval, Liu passou com a voluntária do MHuD. No início deste mês, já com 18 anos e sob o risco de ser transferido para uma instituição de adultos, ele praticamente se mudou para a casa dela, em Ipanema. “Ele fica melhor aqui, porque tem acesso à internet, assiste a programas de TV e filmes chineses, fala bastante com a família”, conta a versão feminina, amável e bem-humorada do personagem de Darín. A experiência desumana pariu fraternidade.

Enquanto espera o fim do processo que o levará de volta à China, Liu joga videogame, passeia com o cachorro da casa, vai ao supermercado. Já soube que pelo Protocolo de Palermo pode ficar no Brasil e trabalhar legalmente. O acordo internacional proíbe extradição de quem sofreu maus-tratos. Mas o que Liu quer é rever a família, tal como o Jun do filme. No conto brasileiro, a vida imita a arte.

 

Neste site:

 

03/08/2015 Esquema no Galeão faz chinês escravo
17/04/2015

Fiscalização encontra chineses irregulares em pastelarias

 

  04/06/2015         por Luciana Barreto                  TV BRASIL

 

    Quarta-Feira, 3 de Junho de 2015    por Alexandre Tortoriello
Chieses são escravizados em pastelarias

Chineses que vêm para o Brasil clandestinamente são submetidos a trabalho escravo em pastelarias. Torturas, ameaças e condições sub-humanas são algumas das práticas nos estabelecimentos. Como exemplo, a reportagem mostra o caso de um chinês que, por dois anos e meio, foi escravizado numa lanchonete.

 

 

TV BRASIL   03/05/2015 por Lígia Souto
AUDIO: http://audios.ebc.com.br/44/4472b421cef5743b54eeb85283d3b8a1.mp3

 

http://radioagencianacional.ebc.com.br/  03/05/2015
Cartilha em mandarim vai orientar chineses sobre trabalho escravo

Com o aumento do número de casos de chineses trabalhando em situação análoga à escravidão no estado do Rio de Janeiro, a superintendência do Ministério do Trabalho e Emprego decidiu lançar uma cartilha sobre direitos trabalhistas em mandarim. O material, elaborado em parceria com a Arquidiocese do Rio de Janeiro, ainda não tem data para ficar pronto. De acordo com a auditora fiscal do Ministério do Trabalho, Márcia Albernaz de Miranda, o documento em português passa por uma revisão para depois ser traduzido para o mandarim. Segundo Márcia, a ideia é distribuir o...

 
 
 

Premier chinês promete atuar com o Brasil por melhores condições de trabalho em pastelarias

Li Keqiang tomou conhecimento da situação dos chineses em visita ao Rio nesta quarta. Medidas não foram detalhadas

POR LUIZ GUSTAVO SCHMITT

O GLOBO 20/05/2015 

Li Keqiang na abertura da exposição de equipamentos e manufaturados da China, no Porto: premiê chinês prometeu trabalhar para melhorar as condições dos chineses em pastelarias do Rio - Gabriel de Paiva / Agência O Globo

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RIO — Ao tomar conhecimento da situação de trabalhadores chineses em pastelarias do Rio, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, disse, na manhã desta quarta-feira, que Brasil e China vão se unir para resolver o problema. O premier, no entanto, não detalhou as medidas que serão tomadas.

— Vamos trabalhar juntos (Brasil e China) para melhorar as condições de trabalho dessas pessoas. Queremos, com isso, satisfazer não só aos cidadãos locais, mas também a esses trabalhadores — disse o primeiro-ministro, que, em visita à cidade, anunciou a construção de uma fábrica de trens no Rio.

Conforme O GLOBO mostrou com exclusividade, trabalhadores chineses de lanchonetes foram encontrados em condições análogas à escravidão. Um deles vivia num buraco no sótão de uma loja na Rua Camerino, na Praça Mauá, no Centro. O flagrante aconteceu durante operação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio e agentes do Procon estadual no dia 17 de abril.

Procuradores do Ministério Público do Trabalho, que investigam a situação nos estabelecimentos, chegaram a afirmar que encontraram carne congelada de cachorro numa lanchonete, em Parada de Lucas. Pelo menos três pastelarias foram interditadas pela Vigilância Sanitária por falta de higiene.

Um auditor fiscal da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego vistoria o sótão de uma pastelaria na Praça Mauá: condições desumanas - Domingos Peixoto / Agência O Globo (17/04/2015)

Apesar do discurso do primeiro-ministro solidário aos trabalhadores explorados, a China consta na lista de países que não ratificaram a convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre a erradicação do trabalho forçado.

Ao participar de encontro com empresários e autoridades durante passeio na Baía de Guanabara na barca Pão de Açúcar, fabricada por chineses, Li Keqiang cobrou mais facilidades para a emissão de vistos de trabalhadores chineses no Brasil. O premier estava ao lado do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a quem direcionou os comentários.

— Empresas chinesas me disseram que esperam mais facilidades para a emissão de vistos de trabalhadores chineses no Brasil — disse ele.



Após denúncias de uso de trabalho escravo, pastelarias do Rio têm queda no movimento

Operação da Vigilância Sanitária termina com três pastelarias interditadas por má higiene

Ministério Público do Trabalho investiga máfia que alicia chineses para trabalho escravo

 

 

Chinês escravizado no Rio foi vendido por R$ 30 mil, aponta denúncia

Suspeito de praticar tortura admitiu à polícia ter agredido funcionário
Do R7, com RJ no Ar | 05/04/2013



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